Poços de Caldas, MG – Na última sexta-feira (28), profissionais do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) participaram de uma capacitação sobre “Cuidado espiritual no contexto da saúde”, ministrada por Fabiana Faria, assistente espiritual da Santa Casa de Poços de Caldas e pesquisadora na área de saúde e espiritualidade.
O encontro apresentou o cuidado espiritual como parte da atenção integral à saúde, destacando a importância de ouvir e acolher as necessidades dos pacientes, sempre com respeito às suas crenças, valores, cultura e também àqueles que não possuem religião.
Durante a capacitação, foram abordadas as diferenças entre assistência religiosa e capelania profissional, além dos aspectos éticos e da importância de integrar esse cuidado ao trabalho das equipes multiprofissionais.
A proposta é contribuir para uma assistência mais humana, acolhedora e centrada na pessoa, especialmente em situações de adoecimento e nos cuidados paliativos, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e espirituais.
Segundo Fabiana Faria, o cuidado espiritual não significa promover uma determinada religião ou crença.
“O cuidado espiritual consiste em reconhecer que cada pessoa possui valores, crenças, vínculos, esperanças e fontes de sentido que influenciam a maneira como enfrenta o adoecimento. Cuidar dessa dimensão é olhar para o ser humano em sua integralidade, respeitando sua autonomia, sua história e suas escolhas.”
Já a coordenadora do SAD, Morgana Batista explica que estar preparado para uma abordagem espiritual é também estar preparado para oferecer um cuidado verdadeiramente ampliado e humanizado. A espiritualidade pode ser uma importante fonte de força, esperança, conforto e significado, especialmente diante da doença, das limitações, do sofrimento e das perdas.
“Quando falamos em cuidado domiciliar, precisamos compreender que estamos entrando não apenas na casa do paciente, mas também na sua história, na sua família, nas suas crenças e naquilo que dá sentido à sua vida.
Nossa equipe precisa estar capacitada para reconhecer essa dimensão do cuidado, sabendo acolher e escutar, sempre com respeito à individualidade, às crenças e às escolhas de cada paciente e família. Não se trata de impor uma religião ou uma crença, mas de compreender o que é importante para aquela pessoa e, quando necessário, favorecer que suas necessidades espirituais sejam contempladas no plano de cuidado.
No SAD/PMeC, nosso compromisso é olhar para o paciente de forma integral: cuidar do corpo, mas também considerar suas emoções, suas relações, seu contexto social e sua espiritualidade.
Quando uma equipe está preparada para essa abordagem, conseguimos ampliar o nosso olhar e oferecer um cuidado mais sensível, qualificado e completo, fortalecendo não apenas o paciente, mas também seus familiares durante toda a trajetória do cuidado.
Cuidar em domicílio é estar próximo em momentos que muitas vezes são de grande vulnerabilidade. E, nesses momentos, uma escuta atenta, respeitosa e acolhedora pode ser tão significativa quanto qualquer outro cuidado que realizamos.”