Poços de Caldas, MG – O candidato do PL ao Governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, cumpriu uma extensa agenda de campanha em Poços de Caldas nesta terça-feira (15), com compromissos voltados principalmente às áreas de saúde, desenvolvimento econômico e industrial, infraestrutura e mineração. A passagem pela cidade se estende nesta quarta-feira (16), com atividades no Distrito Industrial e encontros com lideranças da região. A programação divulgada pela campanha incluiu visita à Santa Casa, entrevista coletiva, caminhada pelo Centro, reunião com empresários e encontros com lideranças.
Na primeira parte da agenda, Roscoe esteve na Santa Casa de Poços de Caldas, onde se reuniu com representantes da instituição e lideranças locais, entre elas o prefeito Paulo Ney de Castro Júnior e candidatos da região. Na sequência, conheceu o projeto de ampliação da unidade e as obras relacionadas ao atendimento oncológico.
A visita serviu de ponto de partida para uma longa conversa do candidato com a imprensa local. Roscoe respondeu a perguntas sobre financiamento e estrutura hospitalar, tratamento oncológico, funcionamento do sistema CORE, concessões e pedágios, atração de investimentos para o Sul de Minas, licenciamento ambiental e exploração e industrialização das terras raras.
Hospitais filantrópicos
Ao falar sobre a Santa Casa, Roscoe ressaltou a participação das instituições filantrópicas no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, muitas dessas unidades concentram grande parte de seus serviços no atendimento público, ao mesmo tempo em que enfrentam dificuldades para realizar investimentos e ampliar suas estruturas.
A proposta apresentada pelo candidato é ampliar a descentralização dos serviços de maior complexidade, aproveitando hospitais já existentes no interior de Minas Gerais, especialmente unidades filantrópicas e estruturas privadas que prestam atendimento ao SUS.
Roscoe argumentou que a concentração de procedimentos de alta complexidade nos grandes centros cria dificuldades adicionais para moradores de cidades pequenas e médias, tanto pelo deslocamento dos pacientes quanto pela necessidade de familiares acompanharem o tratamento longe de casa.
Segundo ele, sua intenção, caso eleito, é investir na expansão de estruturas como UTIs e CTIs no interior, utilizando a rede hospitalar existente.
O candidato relacionou essa proposta diretamente ao projeto de ampliação apresentado pela Santa Casa de Poços de Caldas. De acordo com Roscoe, iniciativas dessa natureza poderiam receber investimentos estaduais para aumentar a capacidade de atendimento.
Hospital do Câncer e atendimento oncológico
Outro ponto abordado durante a visita foi a assistência aos pacientes com câncer. Depois do encontro na Santa Casa, Roscoe visitou as obras do Hospital do Câncer e afirmou que pretende ampliar a oferta de tratamento oncológico no interior do Estado. A proposta de descentralização apresentada em Poços também foi registrada na cobertura da agenda do candidato.
Roscoe argumentou que a proximidade é particularmente importante nos tratamentos oncológicos porque, em muitos casos, o paciente precisa permanecer durante períodos prolongados realizando procedimentos, tomando medicamentos ou passando por sessões de radioterapia.
Para o candidato, uma das alternativas seria ampliar estruturas hospitalares que já funcionam, em vez de concentrar os investimentos exclusivamente na construção de novos hospitais. “Nosso objetivo, tanto para cirurgias de alta complexidade como para os pacientes que têm tratamento contínuo, é fazer com que esse tratamento esteja o mais próximo possível da sua residência”, afirmou durante a entrevista.
Roscoe sustentou ainda que a expansão de unidades existentes pode permitir ganhos de escala e melhor aproveitamento da estrutura administrativa e hospitalar já instalada. Em sua avaliação, reduzir custos por atendimento permitiria ampliar o número de pacientes assistidos com os mesmos recursos disponíveis.
CORE deverá ser revisto, diz candidato
Questionado sobre o CORE, sistema que tem provocado discussões em Poços de Caldas e na região em razão do encaminhamento de pacientes para atendimento em outros municípios, Roscoe afirmou que considera necessária uma revisão do modelo.
Segundo o candidato, embora a proposta de diminuir o tempo de espera seja positiva, o sistema precisa considerar também aspectos como distância, deslocamento e acompanhamento familiar.
Roscoe citou como exemplo situações em que um paciente de Poços poderia ser encaminhado para atendimento a dezenas ou até mais de uma centena de quilômetros da cidade. Para ele, a redução do tempo de espera deve ser analisada juntamente com os impactos do deslocamento para o paciente e sua família. “A intenção de redução do tempo de fila é boa, mas a maneira como isso foi feito acaba prejudicando em muitos casos”, declarou. O candidato afirmou que, se eleito, pretende rever o programa e realizar ajustes.
Pedágios e concessões
Outro tema levantado durante a coletiva foi o preço dos pedágios nas rodovias concedidas em Minas Gerais.Roscoe afirmou que pretende analisar os contratos de concessão para verificar a existência de eventuais falhas ou vícios jurídicos. Segundo ele, caso sejam encontradas ir]regularidades, as medidas judiciais cabíveis seriam adotadas.
Por outro lado, ressaltou que, na ausência de problemas jurídicos, os contratos precisam ser respeitados, citando a segurança jurídica como elemento necessário para a atração de investimentos.
O candidato também declarou que considera elevados os valores cobrados em determinadas concessões no Sul de Minas e mencionou a possibilidade de utilização de recursos adicionais do Estado para reduzir o impacto das tarifas, caso sua proposta de expansão da atividade econômica produza aumento de receitas.
Sul de Minas e atração de indústrias
Ao ser questionado sobre como pretende tratar o Sul de Minas em relação a investimentos, indústria e geração de empregos, Roscoe relacionou a atração de novos empreendimentos a três fatores principais apresentados por sua campanha: infraestrutura, segurança pública e segurança jurídica.
Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Roscoe afirmou que o fim da chamada guerra fiscal aumenta a importância de outros fatores na disputa por investimentos entre estados e regiões.
Na avaliação do candidato, Minas possui um número excessivo de normas e procedimentos que aumentam o tempo necessário para implantação de empreendimentos. Sua proposta é promover uma simplificação regulatória e administrativa.
Roscoe citou especificamente o licenciamento ambiental e afirmou que pretende reduzir e organizar as normas existentes sem alterar, segundo ele, os parâmetros de proteção ambiental.
Também defendeu a utilização de inteligência artificial nos procedimentos de licenciamento como instrumento para reduzir a subjetividade e acelerar análises. As propostas de Roscoe para economia, gestão, meio ambiente e infraestrutura também vêm sendo apresentadas em outras entrevistas durante a campanha.
Terras raras entram no centro da discussão
A presença de Roscoe em Poços também colocou em evidência a exploração das terras raras, assunto que ganhou importância econômica, ambiental e política no município.
Poços de Caldas está inserida nas discussões sobre o desenvolvimento da cadeia desses minerais, utilizados em tecnologias avançadas e em equipamentos ligados à transição energética. A cidade também abriga iniciativas relacionadas ao processamento e à pesquisa, entre elas o CIT SENAI Instituto de Terras Raras.
Questionado sobre como conciliar investimentos e exploração mineral com preservação ambiental, Roscoe afirmou que sua proposta de simplificação não prevê mudança nos parâmetros ambientais exigidos no Estado.
Segundo o candidato, a intenção seria modificar procedimentos burocráticos sem reduzir as exigências ambientais para os empreendimentos. Ele reconheceu que projetos de mineração produzem impactos, mas sustentou que eles devem ser mitigados pelas exigências legais e pelas medidas ambientais correspondentes.
O debate ocorre em um momento de crescente atenção nacional aos minerais críticos e estratégicos. O Brasil discute mecanismos para ampliar investimentos na exploração e, principalmente, no beneficiamento desses recursos, enquanto permanecem debates sobre impactos socioambientais, agregação de valor e distribuição dos benefícios econômicos nas regiões produtoras.
Roscoe defende exploração e industrialização
Na entrevista, Roscoe defendeu a exploração das terras raras e, paralelamente, políticas para estimular que etapas industriais da cadeia sejam desenvolvidas no Brasil e em Minas Gerais.
Ele lembrou sua atuação à frente da FIEMG e citou investimentos realizados pelo sistema industrial mineiro na área de terras raras, incluindo laboratório e estrutura destinada à produção de ímãs permanentes.
O candidato, entretanto, manifestou-se contra a proibição da exportação da matéria-prima como mecanismo para obrigar a industrialização nacional. Na avaliação apresentada por Roscoe, é necessário garantir escala à exploração mineral e, simultaneamente, criar condições para atrair empresas que agreguem valor ao produto em território mineiro.
Segundo ele, a existência de vários fornecedores e produção em escala poderia tornar Minas mais atraente para indústrias interessadas na cadeia tecnológica das terras raras.
A questão possui dimensão internacional. Terras raras são utilizadas na fabricação de componentes tecnológicos e estão no centro de uma disputa por diversificação das cadeias de suprimentos, em um mercado atualmente marcado por forte participação chinesa.
Agenda continua nesta quarta-feira
A passagem de Flávio Roscoe por Poços de Caldas prossegue nesta quarta-feira (16). A programação divulgada pela campanha prevê entrevista pela manhã, café no Distrito Industrial, gravação de vídeos e almoço com prefeitos, vereadores e lideranças da região.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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