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Andréa Rocha detalha propostas para infraestrutura, transporte, mulheres, famílias atípicas e educação

Data da Publicação:

24/09/2026

Poços de Caldas, MG – Infraestrutura logística, recuperação e melhoria das rodovias e estradas vicinais, valorização dos profissionais do transporte, retomada da utilização da malha ferroviária, investimentos no Ceasa de Poços de Caldas, enfrentamento à violência contra a mulher, apoio às famílias atípicas, exames oftalmológicos para estudantes e ampliação das vagas em creches estão entre as pautas apresentadas por Andréa Rocha, candidata a deputada federal pelo Republicanos, durante entrevista ao Jornal Mantiqueira.
Andréa Rocha Carvalho disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados por Minas Gerais com o número 1002. Dados eleitorais atualizados em 23 de setembro apontam que seu registro está deferido. Natural de Caldas, no Sul de Minas, ela tem 51 anos e declarou à Justiça Eleitoral a ocupação de administradora.
Na entrevista, a candidata explicou que sua entrada na política não ocorreu a partir do exercício de cargo público. Segundo ela, sua trajetória está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido no setor de transporte rodoviário de cargas, experiência que, conforme afirmou, aproximou-a das discussões sobre políticas públicas e da atividade política. “Minha trajetória política não vem diretamente de uma gestão pública, mas devido ao meu trabalho dentro do setor do transporte rodoviário de cargas”, explicou.
Andréa afirmou que, há aproximadamente quatro anos, passou a receber incentivos para seguir uma carreira política. Ao falar sobre sua aproximação com o meio político, citou contatos estabelecidos em Brasília e mencionou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o senador Cleitinho Azevedo.

Transporte como ponto de partida
A experiência no transporte rodoviário de cargas aparece como um dos principais pontos da plataforma apresentada pela candidata. Andréa argumenta que a infraestrutura logística não deve ser tratada como um problema restrito aos caminhoneiros ou às transportadoras, pois seus custos acabam alcançando praticamente todos os setores da economia.
Na avaliação apresentada por ela, problemas relacionados às estradas, transporte e logística repercutem sobre a indústria, o agronegócio, o turismo, o comércio e a prestação de serviços. “Como eu sou oriunda do setor do transporte rodoviário de cargas, a primeira coisa que eu enxergo é a questão da infraestrutura logística, porque, de alguma forma, essa infraestrutura e os custos altos dela estão afetando a indústria, o agronegócio, o turismo e os serviços no geral”, afirmou.
Para Andréa, reduzir dificuldades logísticas significa atuar sobre uma cadeia que começa na produção e chega ao consumidor final. Ela considera que o custo para transportar matérias-primas e mercadorias interfere no preço e na capacidade de competição das empresas.

Melhoria das estradas
Entre as prioridades citadas pela candidata está a melhoria das rodovias utilizadas para o transporte de cargas em Minas Gerais.
Andréa defendeu que um eventual mandato parlamentar tenha participação na busca de recursos e na articulação com órgãos públicos para investimentos na infraestrutura viária.
A candidata também destacou a necessidade de olhar para as condições de trabalho dos motoristas profissionais. Segundo ela, o setor enfrenta dificuldades para manter e atrair trabalhadores, cenário que exige atenção do poder público.
Uma das medidas mencionadas é a implantação e melhoria dos pontos de parada destinados aos caminhoneiros.
Para Andréa, oferecer locais adequados para descanso e atendimento aos profissionais faz parte da discussão sobre logística e segurança rodoviária.

Preocupação com a falta de motoristas
Durante a entrevista, Andréa demonstrou preocupação com uma possível escassez de profissionais no transporte rodoviário de cargas.
Segundo ela, as condições enfrentadas pelos caminhoneiros precisam ser consideradas na elaboração de políticas para o setor. A candidata argumentou que o transporte rodoviário ocupa posição central no funcionamento da economia e que dificuldades para renovação da mão de obra podem gerar impactos para outras atividades produtivas.
Nesse sentido, ela defende que as políticas de infraestrutura sejam acompanhadas de ações voltadas diretamente às condições de trabalho dos motoristas.

Estradas vicinais e produção rural
A infraestrutura rural foi outro ponto destacado. Andréa afirmou ter percorrido áreas rurais durante a campanha e disse ter observado dificuldades relacionadas às estradas vicinais.
A preocupação aumenta, segundo ela, nos períodos de chuva, quando as condições das vias podem dificultar a circulação de caminhões. “Somente nessa época de cheia, na questão das vicinais, muitos caminhões ficam atolados na zona rural e isso acaba impactando o escoamento”, afirmou.
Para a candidata, uma política de logística precisa começar nas vias que dão acesso às propriedades e comunidades rurais. Ela argumenta que não basta melhorar grandes rodovias se o produtor continua encontrando dificuldades no primeiro trecho necessário para retirar sua produção da propriedade.

Ferrovias entram nas propostas
Andréa também defendeu maior aproveitamento da malha ferroviária para o transporte de mercadorias. Segundo ela, a discussão sobre infraestrutura não deve ficar limitada às rodovias. A candidata considera que o transporte ferroviário pode atuar de maneira complementar ao rodoviário, especialmente para cargas movimentadas em grandes volumes e longas distâncias.
A produção de café do Sul de Minas foi utilizada por Andréa como exemplo. A candidata lembrou a importância da cafeicultura para a economia regional e citou a proximidade de Poços de Caldas com importantes áreas produtoras.
Na avaliação apresentada por Andréa, uma estrutura logística que combine diferentes modais pode contribuir para diminuir custos de transporte. “Quando eu falo em infraestrutura, não é somente a melhoria das nossas estradas, mas também reativar nossa malha ferroviária para ajudar a escoar muitos dos nossos produtos, como o café”, disse.
Ela acrescentou que a redução dos custos logísticos pode favorecer a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados nacional e internacional.

Olhar para o Ceasa de Poços
Entre as propostas diretamente relacionadas a Poços de Caldas, Andréa destacou a situação do Ceasa.
A candidata relatou que visitou o espaço e conversou com pessoas que trabalham no local. Segundo ela, a partir desses contatos identificou demandas relacionadas principalmente à infraestrutura física. “Eu estive visitando o Ceasa, ouvindo muito as pessoas que trabalham lá, e realmente é urgente a necessidade de melhoria na estrutura física”, declarou.
Na avaliação de Andréa, investimentos no local podem proporcionar melhores condições para produtores, comerciantes, trabalhadores e consumidores, além de contribuir para ampliar a movimentação comercial.
A candidata relacionou ainda os problemas estruturais à segurança do espaço. “Como a infraestrutura está precária, isso está afetando também a segurança do local”, afirmou.
Andréa disse que, caso eleita, pretende trabalhar pela destinação e articulação de recursos para melhorias no Ceasa.

Acolhimento de mulheres vítimas de violência
A entrevista também teve espaço significativo para as políticas destinadas às mulheres. Andréa afirmou que pretende atuar no fortalecimento da rede de proteção às vítimas de violência doméstica e familiar.
Entre as medidas defendidas está a existência de uma estrutura de acolhimento capaz de receber mulheres que precisam deixar suas residências em razão de situações de violência.
A candidata ressaltou que sua proposta não seria apenas disponibilizar atendimento emergencial por um ou dois dias. Ela defende uma estrutura que possa acolher a vítima durante um período suficiente para que tenha condições de reorganizar a própria vida.
Segundo Andréa, muitas mulheres permanecem em relacionamentos violentos porque não possuem renda ou estrutura financeira para deixar imediatamente a residência onde vivem. Na avaliação dela, esse período de acolhimento poderia ser de alguns meses, dependendo da situação.
A intenção seria permitir que a mulher tenha tempo para procurar trabalho, organizar a vida financeira, encontrar uma nova moradia e reconstruir sua autonomia.

Atendimento regional
Andréa considera que uma estrutura dessa natureza instalada em Poços de Caldas poderia ter alcance regional.
Segundo ela, municípios menores nem sempre possuem condições financeiras ou demanda suficiente para manter individualmente serviços especializados de acolhimento por períodos prolongados.
Por isso, a candidata defendeu uma discussão regional para que mulheres de cidades vizinhas também possam ser atendidas.
Ao tratar do tema, Andréa mencionou a violência contra a mulher e o feminicídio como questões que pretende levar ao Congresso.

Castração química
Ao abordar crimes contra mulheres e crianças, a candidata apresentou uma das posições mais específicas da entrevista. Andréa declarou ser favorável à adoção de castração química para autores de crimes de pedofilia e também para autores de feminicídio. “Sou a favor da castração química para pedófilo e também para quem cometeu feminicídio”, afirmou.
Trata-se de uma posição defendida pela candidata e que, para eventual transformação em norma, dependeria da apresentação e tramitação de proposta no Congresso Nacional, além da análise dos aspectos constitucionais, penais e jurídicos envolvidos.

Famílias atípicas
Outra bandeira apresentada por Andréa é a criação e fortalecimento de políticas públicas para famílias atípicas.
A candidata chamou atenção principalmente para a situação de mães e pais responsáveis diariamente pelo cuidado de filhos com deficiência ou outras necessidades específicas.
Segundo Andréa, durante visitas realizadas em comunidades e áreas rurais, ouviu relatos de familiares sobre dificuldades emocionais e psicológicas relacionadas à rotina de cuidados. “Essas pessoas também merecem ser cuidadas, merecem ter apoio, merecem ter mais políticas públicas em prol delas”, afirmou.
Para a candidata, as políticas de inclusão precisam considerar não somente a pessoa atendida, mas também quem assume a responsabilidade diária pelos cuidados.
Andréa afirmou que pretende trabalhar por ações que ofereçam suporte aos responsáveis, inclusive no campo emocional e psicológico.

Exame oftalmológico para crianças
Na educação, uma das propostas apresentadas foi a ampliação do acesso de estudantes a exames oftalmológicos.
Andréa defende que crianças em fase de ingresso na escola sejam submetidas a avaliações da visão para que possíveis dificuldades sejam identificadas precocemente. Segundo a candidata, problemas visuais podem prejudicar a capacidade de acompanhar aulas, ler, escrever e manter atenção nas atividades.
Ela relatou ter conversado com especialistas e afirmou que algumas dificuldades apresentadas por estudantes podem ter relação com problemas de visão ainda não diagnosticados.
Nesse ponto, é necessário fazer uma distinção médica: alterações visuais podem prejudicar o desempenho, a leitura e a atenção da criança, mas exames oftalmológicos não diagnosticam nem descartam TDAH ou transtorno do espectro autista. Essas condições exigem avaliação específica por profissionais habilitados.
A proposta defendida por Andréa é utilizar o ambiente escolar como uma porta para identificação precoce de problemas oftalmológicos.

Creches e acesso das mulheres ao trabalho
A necessidade de ampliar o número de vagas em creches também apareceu entre as prioridades apresentadas pela candidata.
Andréa relacionou diretamente a oferta de educação infantil à possibilidade de pais e, especialmente, mães ingressarem ou permanecerem no mercado de trabalho.
Ela relatou ter encontrado mulheres que gostariam de trabalhar, inclusive em atividades relacionadas à própria campanha, mas que não tinham com quem deixar os filhos e não conseguiram vagas em creches. “Muitas mulheres chegavam até mim querendo trabalhar no meu time e não podiam porque não conseguiam vaga em creche”, relatou.
Segundo Andréa, essa experiência reforçou sua percepção de que a ampliação das creches deve ser tratada simultaneamente como uma política educacional, social e de apoio às famílias.
A candidata defendeu a busca de recursos para ampliar a estrutura existente em Poços de Caldas e atender à demanda por novas vagas.

Articulação entre União e municípios
Ao longo da entrevista, Andréa ressaltou várias vezes a importância da articulação política.
Como deputada federal, caso eleita, sua atuação seria no Congresso Nacional, participando da elaboração e votação de leis federais, fiscalização do Poder Executivo e discussão do Orçamento da União. Questões municipais como creches, Ceasa, estradas locais e serviços de acolhimento dependeriam também da atuação dos governos municipal e estadual, conforme a competência de cada área.
Nesse cenário, a candidata afirmou que pretende utilizar um eventual mandato para buscar recursos e estabelecer interlocução entre Brasília e os municípios mineiros.

Primeira candidatura registrada
Andréa Rocha Carvalho nasceu em 23 de fevereiro de 1975, em Caldas, e tem 51 anos. No registro eleitoral, declarou ensino médio completo e ocupação de administradora. A candidatura é pelo Republicanos, número 1002, para deputada federal por Minas Gerais. Os dados eleitorais consultados não registram participação anterior dela em eleições.
O registro da candidatura está deferido pela Justiça Eleitoral. A ficha eleitoral indica ainda que o Republicanos disputa as vagas para deputado federal em Minas como partido isolado

Mensagem aos eleitores
No encerramento da entrevista, Andréa dirigiu sua mensagem aos eleitores mineiros e apresentou o número de sua candidatura.
Ela afirmou que pretende chegar a Brasília como representante das demandas que vem recolhendo durante as visitas realizadas na campanha.
A candidata também utilizou o encerramento para defender renovação política e pedir o voto dos eleitores. “Se você está um pouco desacreditado, não perca a sua esperança, apenas renove”, declarou.

PAULO VITOR DE CAMPOS
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