Caldas, MG – Um homem de 52 anos morreu após uma luta corporal com o próprio filho, de 25 anos, na madrugada de quinta-feira (24), em uma residência no distrito rural de Santana de Caldas, em Caldas. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o confronto teria começado depois que o pai entrou no quarto onde o filho dormia portando uma cavadeira de ferro. O jovem afirmou que foi atacado e reagiu para se defender. O caso foi registrado inicialmente como homicídio consumado.
A vítima foi identificada como Lourival Mário Delgado, de 52 anos. O filho, L.E.F.D de 25, recebeu voz de prisão em flagrante após o atendimento da ocorrência. O boletim aponta como meio utilizado a asfixia mecânica, incluindo estrangulamento, embora a causa presumida da morte tenha sido registrada inicialmente como ignorada.
De acordo com o histórico policial, por volta das 6h, A.C.F. compareceu ao quartel da Polícia Militar e informou que seu ex-marido, Lourival, teria entrado na residência da família, no distrito de Santana de Caldas, portando uma cavadeira, descrita no registro como instrumento de ferro utilizado em obras de construção civil.
Segundo o relato apresentado à PM, Lourival teria ido ao imóvel com a intenção de atacar os filhos. A mulher informou ainda que o filho havia entrado em luta corporal com o pai para defender a si mesmo e a irmã e que, durante o confronto, Lourival havia sofrido ferimentos graves, existindo a possibilidade de que estivesse morto.
Diante da gravidade da informação, uma equipe formada pelo sargento Leomar e pela soldado Letícia seguiu imediatamente para a residência, acompanhada pela solicitante.
Conforme o levantamento inicial feito pelos policiais, Lourival teria acessado a propriedade sem necessidade de arrombamento. O portão estava destrancado e a porta da cozinha também se encontrava aberta ou destrancada.
Ao entrar na residência, a equipe encontrou Lourival caído no chão da cozinha, completamente imóvel, inconsciente e sem sinais vitais perceptíveis.
Durante a verificação do imóvel, o filho saiu espontaneamente de seu quarto. Segundo os militares, naquele momento ele estava calmo, apresentava comportamento sereno e estava desarmado. Em seguida, passou a relatar aos policiais sua versão sobre o que havia acontecido.
O jovem contou que estava dormindo em seu quarto enquanto a irmã, de 13 anos, repousava em outro cômodo. Por volta das 5h20, segundo seu relato, foi surpreendido pela entrada do pai no dormitório.
L.E.declarou aos policiais que Lourival entrou no quarto portando uma cavadeira de ferro e tentou agredi-lo. Ele afirmou que reagiu para proteger sua integridade física e sua vida, iniciando uma intensa luta corporal ainda dentro do dormitório.
A briga saiu do quarto e prosseguiu até a cozinha. Segundo o relato do jovem, durante o confronto ele conseguiu retirar a cavadeira das mãos do pai e entregou a ferramenta à irmã, para que ela a mantivesse fora do alcance de Lourival.
Ainda conforme a versão registrada no boletim, mesmo depois de ser desarmado, Lourival teria continuado as agressões. Pai e filho acabaram caindo no chão da cozinha enquanto permaneciam em luta corporal.
Foi nesse momento, de acordo com L.E., que ele aplicou no pai um golpe de estrangulamento conhecido popularmente como “mata-leão”. O jovem declarou que manteve a imobilização até Lourival perder as forças e desfalecer completamente.
O boletim traz ainda um detalhe relatado pelo próprio filho aos policiais. Segundo o documento, ele declarou espontaneamente que, depois de o pai desfalecer e ainda sob forte estado emocional, desferiu dois socos no rosto de Lourival.
Ao perceber que o pai permanecia imóvel e inconsciente no chão, L.E. suspeitou que ele estivesse morto. Em seguida, telefonou para a mãe, que estava trabalhando na área urbana de Caldas, contou o que havia ocorrido e pediu que ela procurasse rapidamente a Polícia Militar.
A mãe informou posteriormente aos militares que recebeu a ligação por volta das 5h58. Conforme o BO, o filho estava em tom de desespero e disse que possivelmente havia matado o pai ao defender a casa. A irmã de L.E., uma adolescente de 13 anos, estava dentro da residência. Segundo a versão apresentada pelo suspeito e registrada pela PM, ela acordou com o forte barulho da briga e teria acompanhado a dinâmica do confronto, desde as agressões no quarto até o desfecho na cozinha.
A adolescente foi relacionada no boletim como testemunha que presenciou os fatos. Seu depoimento deverá fazer parte da apuração das circunstâncias da morte.
Após analisar os relatos prestados no local e as circunstâncias encontradas na residência, a Polícia Militar deu voz de prisão em flagrante a L.E. pelo crime de homicídio consumado. A alegação apresentada por ele de que teria agido para se defender de uma agressão deverá ser analisada pela Polícia Civil no decorrer da investigação.
O boletim informa que houve necessidade do uso de algemas. Conforme a justificativa registrada pela PM, apesar de ter sido encontrado inicialmente calmo, o preso estava em estado de choque e nervosismo, relatando repetidamente o que havia acontecido. O procedimento foi adotado, segundo os militares, para preservar a segurança dele próprio e da equipe policial.
Diante da aparente morte de Lourival, o Samu foi acionado. Segundo o registro policial, após receber as informações sobre a ausência de sinais vitais, a equipe de saúde orientou o acionamento direto da perícia técnica, sem necessidade de deslocamento da ambulância até a residência.
A área foi preservada e outras equipes da Polícia Militar compareceram ao endereço. A Perícia Técnica da Polícia Civil também esteve no imóvel e realizou os levantamentos necessários.
A cavadeira envolvida na ocorrência foi recolhida pelo perito e posteriormente entregue aos investigadores da Polícia Civil de Caldas, responsáveis pela continuidade das apurações.
Depois dos trabalhos periciais, o corpo de Lourival foi liberado e encaminhado para exame necroscópico no Instituto Médico-Legal (IML) de Poços de Caldas. O exame deverá contribuir para determinar oficialmente a causa da morte.
Após a prisão, L.E. foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Caldas para atendimento médico. O objetivo foi avaliar possíveis escoriações e lesões sofridas durante a luta corporal e realizar o exame de corpo de delito.
Depois dos procedimentos médicos, ele seria apresentado, juntamente com o material apreendido, à Polícia Civil para as providências legais.
A investigação deverá esclarecer toda a dinâmica do episódio, incluindo as circunstâncias da entrada de Lourival na residência, o início e o desenvolvimento da luta corporal e se a reação alegada pelo filho se enquadra juridicamente em legítima defesa. Essa definição caberá às autoridades responsáveis pela investigação e pelo processo judicial.