Poços de Caldas, MG – O Jornal Mantiqueira encerra hoje a série de entrevistas com candidatos com domicílio eleitoral em Poços de Caldas.
O último entrevistado é Sérgio Azevedo (PL), candidato a deputado federal. Ex-prefeito de Poços de Caldas por dois mandatos, Azevedo chega à reta final da campanha demonstrando confiança na disputa do próximo domingo.
Durante a entrevista, o candidato fez um amplo balanço de sua trajetória profissional e administrativa, relembrou os anos em que esteve à frente da Prefeitura e apresentou os argumentos que, segundo ele, justificam sua candidatura à Câmara dos Deputados. Azevedo destacou principalmente a necessidade de Poços de Caldas voltar a contar com um representante próprio em Brasília e afirmou que pretende exercer um mandato municipalista, concentrado na cidade e nos municípios da região.
Mais de três décadas como servidor
Antes de chegar à Prefeitura, Sérgio Azevedo construiu sua trajetória profissional no serviço público municipal. Engenheiro, ele lembrou que está próximo de completar 33 anos de carreira na Secretaria Municipal de Obras. “Sou funcionário de carreira da Prefeitura. Vou completar agora, em janeiro, 33 anos de engenheiro na Secretaria de Obras. Então, isso me deu a oportunidade de conhecer bem a cidade, conhecer a estrutura da cidade, conhecer os bairros, as ruas. Então, eu tenho um ótimo conhecimento”, afirmou.
Azevedo também destacou sua passagem pela presidência da Coopoços.
Foram 16 anos à frente da instituição, período em que foi reeleito cinco vezes consecutivas pelos próprios servidores.
O candidato afirmou que assumiu a cooperativa em uma situação difícil e que, durante sua gestão, a instituição passou por uma transformação. “Tive a oportunidade também de ser presidente da Coopoços. A Coopoços é uma cooperativa dos servidores. Chegamos a ela numa situação bem ruim e a deixamos como uma das melhores cooperativas do Brasil. Foram 16 anos à frente da cooperativa, sendo reeleito cinco vezes seguidas pelos próprios servidores”, declarou.
Entrada na política e Prefeitura
Depois da experiência administrativa, Azevedo decidiu disputar a Prefeitura de Poços de Caldas.
Entrou na eleição sem uma trajetória política tradicional, apresentando-se principalmente pelo perfil técnico. “Saí candidato a prefeito sem ter uma história política, vindo como um profissional técnico. E ganhamos a primeira eleição. Ganhamos de um prefeito que estava no cargo, tentando uma reeleição, que é sempre difícil, e conseguimos a oportunidade de ser prefeito”, recordou.
Sérgio Azevedo permaneceu oito anos à frente do Executivo municipal.
Ele ressaltou que o período incluiu dificuldades importantes, entre elas a pandemia. Mesmo diante desse cenário, considera que sua administração conseguiu desenvolver projetos em diferentes setores. “Passamos por diversos momentos, pegamos uma pandemia, mas, mesmo assim, conseguimos ser o primeiro prefeito reeleito na história da cidade e fizemos muitas realizações, mudamos a história da cidade em diversos segmentos”, afirmou.
Indústrias e empregos
Entre os resultados que atribui aos dois mandatos, Azevedo colocou a atração de empresas e a geração de empregos entre os principais destaques.
Segundo o candidato, Poços de Caldas registrou avanços importantes na atração de indústrias durante sua administração, com reflexos no mercado de trabalho. “Temos recordes de atração de indústrias, de empregos, praticamente um pleno emprego na cidade. Hoje é difícil achar alguém para contratar. Está com muita dificuldade de pessoas para trabalhar”, afirmou.
Ao apresentar esse balanço, Azevedo relacionou o desenvolvimento econômico à necessidade de continuidade dos investimentos e à importância de representação política capaz de buscar recursos fora do município.
Meio ambiente e tratamento de esgoto
O ex-prefeito também citou ações ambientais entre os resultados de seus oito anos de governo.
Um dos pontos destacados foi a solução dada ao passivo ambiental relacionado ao antigo lixão. “Em relação ao meio ambiente também cuidamos bem. Resolvemos o problema do nosso antigo lixão. Hoje está resolvido esse passivo ambiental que se deixava para futuras gerações. Não tem mais”, disse.
Azevedo mencionou ainda os investimentos realizados no tratamento de esgoto. Segundo ele, a conclusão de uma nova estação colocou Poços de Caldas em posição de destaque nessa área.
“A parte de estação de esgoto é um grande destaque. Concluímos a nova estação também de esgoto e só cinco cidades no Brasil têm 100% de esgoto tratado, tirando as capitais. Uma dessas cinco é Poços de Caldas”, afirmou.
Para o candidato, esses resultados demonstram que o município conseguiu atuar simultaneamente em diferentes áreas durante sua administração
Habitação
A construção de moradias populares também foi destacada. Sérgio Azevedo afirmou que Poços de Caldas passou muitos anos sem receber empreendimentos habitacionais em quantidade significativa e que sua administração conseguiu mudar esse cenário. “Nós temos o recorde de construção de casas populares. Eram tantos anos sem ser contemplado. Entregamos quase 800 imóveis. Em cidades do nosso porte, nenhuma cidade viu isso”, declarou.
Azevedo considera a habitação uma das áreas em que os resultados de sua administração tiveram impacto direto sobre a população e incluiu o setor no conjunto de realizações que apresenta durante a campanha.
Investimentos no esporte
Outro tema abordado foi o esporte. O ex-prefeito afirmou que sua administração ampliou significativamente os investimentos no setor e disse ter realizado uma comparação com outras cidades brasileiras para dimensionar os valores destinados às atividades esportivas. “Em relação ao esporte, investimos muito. Eu fiz uma apanhada, tentei pesquisar como estava isso no Brasil inteiro, e Poços era a cidade que mais investia no esporte quando nós deixamos. Nem São Paulo era igual. Proporcionalmente, por mil habitantes, Poços tinha quase o dobro de investimento”, declarou.
Para Azevedo, investir em esporte significa atuar também em educação, saúde e segurança. “O esporte é tudo. O esporte é educação, o esporte é saúde, o esporte é segurança. O esporte contempla tudo. Quando eu falo que uma criança está no esporte, ela não vai estar no caminho errado. Ela vai estar no caminho certo”, afirmou.
Arte e cultura
Azevedo também apresentou a cultura como uma das áreas que receberam atenção especial durante os oito anos em que comandou a Prefeitura.
Segundo ele, os investimentos foram ampliados e houve uma preocupação em valorizar os artistas locais. O candidato lembrou que os eventos realizados pela administração municipal priorizavam profissionais da própria cidade. “Na arte e cultura também investimos bastante. Multiplicamos por oito o investimento que era feito antes. Valorizamos a arte da cidade. Todos os nossos eventos eram feitos com artistas da cidade”, afirmou.
O ex-prefeito citou ainda o Festival de Inverno e disse que a programação chegou a envolver aproximadamente 500 artistas locais, distribuídos por diferentes pontos de Poços de Caldas.
Para Azevedo, o conjunto dessas ações resultou no reconhecimento da população ao trabalho desenvolvido pela administração.
Reeleição e sucessão
Ao falar sobre sua trajetória eleitoral, Sérgio Azevedo relacionou sua reeleição e posteriormente a vitória de seu sucessor, Paulo Ney, à avaliação que a população teria feito de seu governo. “Foi uma administração realmente de destaque e um reconhecimento da população, fazendo a reeleição e depois elegendo o sucessor, dando sequência a esse trabalho”, afirmou.
Segundo Azevedo, Paulo Ney ainda não tinha grande exposição pública quando foi lançado como candidato à Prefeitura, mas recebeu o apoio dos eleitores para continuar o projeto administrativo. “Quando nós lançamos o Paulo Ney, que na época era uma pessoa que não tinha conhecimento fora, era mais de bastidores, mesmo assim a população deu o voto de confiança ao nosso governo. Ele está dando sequência ao trabalho”, disse.
“O que um deputado pode fazer hoje pela cidade? Tudo”
Questionado sobre o que um deputado federal pode fazer por Poços de Caldas, Sérgio Azevedo respondeu de maneira direta: “Tudo”.
O candidato destacou principalmente a possibilidade de destinação de recursos para os municípios e argumentou que as atribuições e os instrumentos disponíveis aos parlamentares tornaram ainda mais importante a presença de um representante da própria cidade em Brasília. “Hoje, o deputado é muito empoderado. Ele tem verbas próprias que consegue destinar para as cidades que determinar. Por isso a importância de a gente ter um deputado nosso daqui”, declarou.
Azevedo considera que a ausência de representação própria reduz as possibilidades de Poços de Caldas receber investimentos.
Defesa da concentração dos votos em candidatos locais
Uma das partes mais enfáticas da entrevista foi dedicada à defesa do voto em candidatos de Poços de Caldas. Azevedo criticou a destinação de votos a candidatos de outros municípios e afirmou que a cidade precisa concentrar forças para eleger representantes próprios. “Nosso voto está indo muito para fora.
Muitas pessoas de outras cidades sendo votadas aqui. Isso é um crime para nossa cidade”, afirmou.
Na avaliação do candidato, o cenário seria diferente caso Poços não tivesse nomes competitivos na disputa. Para ele, entretanto, existem candidaturas locais com possibilidades reais de eleição. “Vamos votar em quem é daqui. A gente precisa de um candidato daqui. Se nós não tivéssemos ninguém com chance, é outro caso, mas nós temos pessoas com chances reais. Agora, como é que vai ganhar? Concentrando o voto aqui”, declarou.
Azevedo argumentou ainda que municípios de diferentes regiões de Minas trabalham para eleger seus próprios representantes e que Poços de Caldas deveria seguir a mesma estratégia. “São 850 cidades em Minas inteiro. Cada uma está brigando para ter o seu representante, para ter o seu deputado, para a cidade crescer. E aqui nós precisamos fazer isso também. Temos que pensar na nossa cidade e colocar alguém do nosso lado”, afirmou.
Segundo ele, quando um candidato de outro município é eleito com votos recebidos em Poços, existe a tendência de que sua atuação parlamentar seja prioritariamente direcionada à sua própria base política. “Se não, o que acontece? Vão ganhar pessoas de outras cidades e o investimento vai para outra cidade”, declarou.
Ex-prefeitos como candidatos
Sérgio Azevedo também mencionou exemplos de municípios da região que conseguiram eleger representantes e citou a presença de ex-prefeitos nas disputas eleitorais.
Para ele, a experiência de comandar uma Prefeitura proporciona conhecimento administrativo e projeção eleitoral capazes de fortalecer uma candidatura parlamentar. “A pessoa que vem com nome, que vem com força para poder ganhar. É a hora de Poços de Caldas”, afirmou.
Azevedo considera que a ausência de representantes locais contribuiu para que municípios vizinhos avançassem em ritmo superior ao de Poços. “Nós não podemos mais continuar atrás das cidades que estão aqui. Elas vão crescendo e Poços vai ficando. Não por culpa de quem está governando, mas por culpa de todos nós, que estamos deixando passar essa oportunidade de valorizar a nossa cidade”, declarou.
Alerta sobre apoio a candidatos de fora
O candidato reforçou diversas vezes durante a entrevista seu posicionamento favorável à concentração dos votos em nomes locais e fez um alerta aos eleitores sobre pedidos de apoio a candidatos de outras cidades.
“Não vamos votar fora de Poços de Caldas. Cuidado com quem vem pedir para você votar em pessoa que não é daqui. Cuidado. Algum interesse tem nisso aí, mas não é o interesse da cidade”, afirmou.
A declaração representa a avaliação do próprio candidato sobre a estratégia eleitoral que considera necessária para que Poços volte a ter representação parlamentar.
Mandato municipalista
Ao apresentar como pretende trabalhar caso seja eleito deputado federal, Sérgio Azevedo afirmou que deseja exercer um mandato municipalista.
Sua proposta é concentrar a atuação em Poços de Caldas e em um grupo de aproximadamente 20 a 25 municípios da região, evitando, segundo ele, uma pulverização excessiva dos recursos disponíveis. “Quero ser um deputado municipalista, que vai brigar pelas cidades mesmo, por Poços de Caldas, por todas as cidades aqui da nossa região. Um deputado que vai abraçar 20 a 25 cidades somente”, explicou.
Na avaliação de Azevedo, parlamentares que mantêm bases eleitorais em um número muito elevado de municípios enfrentam dificuldades para desenvolver ações capazes de produzir impactos significativos em cada localidade. “Não vou, como um deputado que tem 150 cidades, porque não consegue atender nenhuma.
Leva um pouquinho para cada uma só para manter o seu voto, mas, na verdade, não faz a diferença na vida da cidade. Eu quero fazer essa diferença na vida da cidade e das cidades vizinhas nossas, que abraçaram a nossa candidatura”, afirmou.
Experiência como prefeito e viagens em busca de recursos
Azevedo usou sua experiência à frente do Executivo para exemplificar as dificuldades enfrentadas por um prefeito quando o município não possui representação própria em Brasília.
Segundo ele, durante os oito anos em que comandou Poços de Caldas precisou viajar com frequência em busca de investimentos. “Eu fui prefeito oito anos. Eu tinha que viajar toda hora para Brasília, buscando investimento. Muito difícil também chegar com o papel na mão lá”, relatou.
Para o candidato, a existência de um deputado diretamente comprometido com a cidade permitiria que parte desse trabalho fosse realizada pelo parlamentar, reduzindo a necessidade de deslocamentos constantes do prefeito. “Eu não precisaria nem sair daqui se nós tivéssemos um deputado realmente da cidade trabalhando para a gente nessas regiões. A gente já faria os trabalhos sendo feitos lá, sem o prefeito sair, indo lá toda hora. Muitas vezes voltar de mãos abanando ou voltar com pouco”, afirmou. “Hoje é fundamental”
Na avaliação de Sérgio Azevedo, a importância de uma cidade possuir representação parlamentar própria aumentou ao longo dos últimos anos. “Até anteriormente, uns 30 anos atrás, 20 e poucos anos, era importante você ter deputado. Hoje não é só importante, hoje é fundamental”, afirmou.
Para ele, uma cidade do porte de Poços de Caldas que não consiga eleger um representante próprio corre o risco de perder espaço na disputa por investimentos. “A cidade que não tiver um deputado seu realmente, uma cidade grande como Poços, não fazer um deputado seu, ela vai ficando para trás. E, gente, já está acontecendo isso na região. As outras cidades estão crescendo muito e nós não estamos conseguindo acompanhar esse ritmo. Nós estamos sem representação”, declarou.
Azevedo argumentou que prefeitos dependem da articulação com outras esferas de governo e com parlamentares para conseguir viabilizar determinados projetos. “Nenhum prefeito vai conseguir fazer tudo. Ele precisa realmente ter essas ajudas. É um problema de todos nós aqui, da cidade”, afirmou.
União na reta final
Ao concluir a entrevista, Sérgio Azevedo voltou a pedir união dos eleitores em torno das candidaturas locais e classificou a disputa pela representação política como uma “guerra do bem”. “É uma guerra, uma guerra do bem, onde a gente tem que estar unido para conseguir eleger quem realmente tem chance de chegar lá”, declarou.
Ele voltou a mencionar exemplos de ex-prefeitos de outras cidades que posteriormente disputaram e conquistaram espaço político em eleições parlamentares e afirmou esperar que Poços de Caldas consiga fazer o mesmo. “Nós esperamos que o nosso ex-prefeito também esteja entre esses que consigam representar Poços de Caldas e a região”, disse.
Sérgio Azevedo reforçou a candidatura e o projeto de representar não apenas Poços de Caldas, mas também municípios vizinhos na Câmara dos Deputados.
“Eu estou preparado para ser esse representante, não só de Poços de Caldas, como da região. Quero ser um deputado municipalista, que vai brigar pelas cidades mesmo, por Poços de Caldas e por todas as cidades aqui da nossa região”, concluiu Azevedo.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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