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Greve: Prefeitura explica impasses sobre reajuste salarial dos servidores

Data da Publicação:

05/03/2025

Poços de Caldas, MG – O prefeito Paulo Ney de Castro Júnior reuniu a imprensa na tarde desta quarta-feira de cinza para falar sobre a greve dos servidores. Ele lamentou a paralisação, mas destacou que a prefeitura não tem condições legais de atender os pedidos de reajustes. Em coletiva de imprensa o prefeito e sua equipe esclareceram os detalhes da proposta da administração e rebateram informações que, segundo eles, estão sendo distorcidas. Em uma apresentação detalhada, foram expostos os impactos financeiros e as dificuldades enfrentadas pelo município.
O prefeito iniciou sua fala destacando o sucesso do Carnaval 2025 em Poços de Caldas, que ocorreu sem registros de ocorrências graves. “Talvez eu seja suspeito para falar, mas foi o melhor Carnaval de todos os tempos”, afirmou, agradecendo a equipe envolvida na organização. No entanto, o tema da segurança e festividade logo deu espaço para questões orçamentárias e negociações com os servidores municipais.

Impacto da Folha
de Pagamento
De acordo com a prefeitura, mais de 50% da receita municipal é comprometida com a folha de pagamento, atingindo atualmente 50,87%. A proposta da administração é conceder um reajuste salarial de 5% e um aumento de 10% no vale-alimentação. Isso elevaria os gastos com pessoal para 53,4% da receita, ultrapassando o limite recomendado pelo Tribunal de Contas, que é de 51,3%. A gestão ressaltou que o pedido do sindicato de um reajuste de 11,88% implicaria em crime de responsabilidade fiscal.

Propostas e Demandas
A prefeitura detalhou sua proposta, que inclui: Reajuste salarial de 5%; Aumento de 10% no vale-alimentação, passando de R$ 700,00 para R$ 770,00; Ampliação da licença-paternidade de 7 para 10 dias úteis; Manutenção da licença-maternidade e do direito à amamentação.
Por outro lado, algumas reivindicações do sindicato foram classificadas como inviáveis, incluindo: Vale-alimentação de R$ 1.000,00; Licença-paternidade de 30 dias; R$ 60,00 por refeição, o que geraria um impacto superior a R$ 100 milhões ao ano; Licença por falecimento de animal de estimação.
Segundo prefeito a proposta do sindicato teria um impacto de R$ 88,7 milhões anuais, comprometendo quase 9% da receita municipal, enquanto a proposta da prefeitura teria um impacto de R$ 33 milhões anuais.

Consequências de
um Aumento Maior
O governo municipal alertou sobre as consequências caso a proposta do sindicato fosse aceita: Risco de atraso nos pagamentos e parcelamento de 13º salário; Impedimento de novos concursos para funções essenciais, como auxiliares de educação inclusiva e Guarda Municipal; Bloqueio de repasses estaduais e federais; Demitir servidores não estáveis para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal; Cortes em serviços públicos para reduzir custos.

Debate e Aspectos
Políticos
A prefeitura também abordou a condução do sindicato no processo de negociação, afirmando que “logo na primeira reunião houve ameaça de greve”. Foi mencionado que, embora haja respeito ao direito de greve, os servidores que aderirem não terão os dias paralisados remunerados, seguindo a legalidade.
Outro ponto enfatizado foi que a remuneração dos servidores de Poços de Caldas está entre as melhores da região. Como comparação, por exemplo com Uberlândia, um município com receita significativamente maior, concedeu 5% de aumento salarial e 7,5% no vale-alimentação, valores inferiores à proposta da prefeitura local.
O prefeito também criticou o que chamou de “movimento político” por trás da greve e das reivindicações exageradas, mencionando que “há figuras políticas que querem atrapalhar o governo de alguma forma”. Ele reforçou que o Tribunal de Contas já advertiu o município pelo risco de ultrapassar o teto da responsabilidade fiscal, o que impede qualquer concessão acima da proposta apresentada.

Adesão à Greve
O impacto da paralisação também foi abordado. Segundo os dados apresentados, 80% dos servidores da Educação e 95% dos servidores da Saúde continuam trabalhando normalmente, minimizando os efeitos da greve.

Conclusão
O governo municipal reafirmou que a proposta apresentada é o máximo que o município pode oferecer sem comprometer suas finanças. “Não estamos deixando de dar um ganho real, mesmo que mínimo, acima da inflação”, declarou o prefeito. Ele também alertou para os interesses políticos envolvidos na greve e reforçou que a gestão seguirá adotando medidas responsáveis para manter a estabilidade econômica do município.

 

PAULO VITOR DE CAMPOS
pvcampos@gmail.com
pvc.mantiqueira
@pvcampos.pvc

 

 

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