Marco Antônio de Figueiredo
Articulista, Advogado e Jornalista
Um dia eu vou te encontrar de novo, meu neto Valentino. Guardo essa certeza com a mesma delicadeza com que se guarda uma fotografia antiga: perto do peito, protegida do tempo e da descrença.
A vida, às vezes, interrompe histórias antes que elas aprendam a caminhar sozinhas e quando isso acontece, o silêncio parece maior que o mundo, mas o amor, esse não conhece interrupção.
Valentino, teu nome ainda ecoa como música suave dentro de mim.
Ele não ficou preso ao passado; ele atravessa meus dias. Há momentos em que sinto tua presença no vento leve da manhã, ou no colorido inesperado que surge depois da chuva.
Dizem que o arco-íris é ponte entre o céu e a terra e eu gosto de acreditar que ele também é caminho. Um caminho delicado, feito de luz e promessa, onde as despedidas se transformam em reencontros.
Não sei como será esse dia. Talvez eu te reconheça pelo sorriso. Talvez seja pelo abraço que se encaixa de forma perfeita, como se o tempo nunca tivesse ousado nos separar.
A saudade, meu neto, não é apenas dor. Ela é prova viva de que o amor existiu e continua existindo, porque o que é verdadeiro não se dissolve com a ausência; ele se transforma em esperança.
Aprendi que o céu não é distância, é continuidade. Que os laços que nascem do afeto não se rompem, apenas mudam de forma e há quem diga que é preciso aceitar e seguir e eu sigo, sim, mas sigo levando você comigo, em cada gesto de ternura, em cada oração sussurrada, em cada sonho que insiste em florescer.
Se um dia eu olhar para o horizonte e o céu estiver pintado de cores intensas, saberei que você está sorrindo e quando meus passos também cruzarem essa ponte luminosa, sei que não haverá estranhamento apenas reconhecimento.
Até lá, sigo vivendo. Vivendo com amor, porque amar você é a forma mais bonita de manter sua luz acesa.
Um dia, meu neto Valentino, em algum lugar além do arco-íris nossos caminhos vão se tocar novamente e nesse instante, toda saudade finalmente encontrará descanso.