A percepção negativa dos brasileiros sobre a economia é um sinal que não pode ser ignorado pelas autoridades. Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta terça-feira, 8, mostra que 52% dos entrevistados classificam a situação econômica do país como ruim ou péssima. Mais do que um número, o resultado traduz a experiência cotidiana de famílias que enfrentam preços elevados, orçamento apertado e insegurança em relação ao futuro.
As expectativas para os próximos seis meses também recomendam cautela. Apenas 36% acreditam que a economia melhorará muito ou um pouco, percentual inferior aos 39% registrados no levantamento anterior. Outros 29% esperam uma piora e 22% avaliam que o cenário permanecerá como está. Os dados revelam uma população dividida quanto ao futuro, mas majoritariamente distante de um ambiente de confiança e otimismo.
A economia não é percebida apenas por meio de estatísticas oficiais, índices ou discursos. Para o cidadão, ela se manifesta no preço dos alimentos, no custo da energia, no valor do aluguel, nos juros cobrados pelo crédito e nas oportunidades de emprego. Mesmo quando determinados indicadores apresentam melhora, seus efeitos podem demorar a chegar à mesa e ao bolso da população. É nessa distância entre os números gerais e a realidade das famílias que cresce a insatisfação.
O levantamento também mostra que as preocupações dos brasileiros vão além da renda. A segurança pública aparece como o principal problema do país, citada por 35% dos entrevistados. A saúde vem em seguida, com 31%, enquanto a corrupção é mencionada por 23% e a educação, por 17%. Trata-se de uma lista conhecida, formada por problemas antigos que atravessam governos e continuam exigindo respostas concretas.
Essas prioridades estão diretamente relacionadas. Uma economia enfraquecida reduz a capacidade de investimento do poder público e aumenta a vulnerabilidade social. Ao mesmo tempo, deficiências na segurança, na saúde e na educação dificultam o desenvolvimento e aprofundam desigualdades. A corrupção agrava o quadro ao desviar recursos, comprometer a confiança nas instituições e alimentar a sensação de que o esforço do contribuinte não retorna em serviços de qualidade. (Pesquisa registrada no TSE BR-06790/2026)