Poços de Caldas, MG – A Comissão Especial de Terras Raras da Câmara Municipal de Poços de Caldas realizou, na quinta-feira, 03 de setembro, mais uma reunião extraordinária com a participação de pesquisadores, representantes da sociedade civil, autoridades e moradores. O encontro deu continuidade aos debates sobre os possíveis impactos da exploração de terras raras no município, reunindo diferentes perspectivas sobre questões econômicas, sociais e ambientais relacionadas à atividade.
Durante a reunião, a Comissão recebeu um ofício encaminhado pelo Coletivo da Causa Animal de Poços de Caldas. O documento solicita informações e medidas de proteção à fauna e à biodiversidade no âmbito do Projeto Colossus, destacando a sensibilidade ambiental da área, a presença de remanescentes de vegetação nativa, recursos hídricos de importância regional e a ocorrência de fauna silvestre.
Também fizeram uso da tribuna convidados de diferentes áreas. Participaram professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representantes da agricultura familiar, do Grupo Terra Viva Água Rara, moradores da Zona Sul e integrantes do Movimento Rara é a Vida.
O encontro contou ainda com a participação do ex-prefeito e ex-vereador Paulo Tadeu Silva D’Arcadia, que havia protocolado um ofício solicitando sua participação na reunião da Comissão, e do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, que apresentou as ações desenvolvidas pela pasta em relação ao tema das terras raras. Durante sua participação, o secretário também respondeu a questionamentos e indagações feitos pelos convidados que compuseram a mesa e pelos vereadores integrantes da Comissão.
Segundo o presidente da Comissão, vereador Tiago Braz (REDE), a presença de representantes das universidades e da população foi um dos principais destaques do encontro. De acordo com ele, os pesquisadores foram convidados para contribuir com conhecimento técnico e científico para um debate que poderá ter reflexos significativos sobre o futuro do município.
Durante as discussões, foram abordados temas como arrecadação, Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), royalties, mercado de trabalho, custo de vida e infraestrutura. Também foram levantadas questões sobre a necessidade de o município discutir alternativas econômicas, de forma a evitar uma eventual dependência de atividades extrativas.
Para Tiago Braz, a participação de pesquisadores, especialistas e moradores contribui para ampliar o debate sobre os diferentes aspectos envolvidos em um possível processo de exploração mineral. “A Comissão vai continuar fazendo o seu papel: trazendo a universidade, pesquisadores, especialistas e a população para dentro desse debate”, afirmou. “Estamos discutindo um possível processo de exploração mineral que pode trazer grandes impactos econômicos, sociais e ambientais para Poços de Caldas por muitos anos e, a cada convite que fazemos a representantes do Poder Executivo, fica ainda mais evidente o quanto a Prefeitura não se preocupou em realizar levantamentos importantes sobre o tema. Terras raras não podem ser tratadas como uma oportunidade qualquer. Estamos falando do futuro de Poços de Caldas, e o futuro da cidade não pode ser decidido no improviso”, declarou o parlamentar.