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Violência doméstica

Data da Publicação:

14/09/2026

Os números da violência doméstica em Minas Gerais são alarmantes. Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça mineira recebeu 62.569 novos processos relacionados a agressões contra mulheres. Isso representa uma média de 295 ações por dia — mais de 12 a cada hora.
A dimensão do problema fica ainda mais evidente quando se observa a evolução dos registros. Em 2025, Minas ultrapassou a marca de 100 mil novos processos, com crescimento de 6,85% em relação ao ano anterior. Na comparação com 2020, a alta acumulada chegou a 72,62%.
O aumento dos processos pode refletir maior disposição das vítimas para denunciar, ampliação dos canais de atendimento e maior conhecimento sobre os mecanismos de proteção. Caso seja assim, representa um importante rompimento do silêncio que, durante décadas, manteve inúmeras agressões escondidas dentro dos lares.
Entretanto, esse crescimento também evidencia a permanência de uma cultura de violência e dominação que continua fazendo vítimas em todas as classes sociais. O lar, que deveria ser um espaço de segurança, transforma-se para muitas mulheres em ambiente de medo, controle, ameaça e agressão.
A realidade nacional confirma que não se trata de um problema isolado. Até julho de 2026, foram abertos mais de 742 mil novos processos em todo o país. Em apenas cinco anos, o volume anual de ações aumentou 89,09%, passando de 599 mil registros, em 2020, para mais de 1,1 milhão em 2025.
Processos judiciais, contudo, mostram apenas parte dessa violência. Muitas vítimas ainda não denunciam por medo do agressor, dependência financeira, preocupação com os filhos, vergonha ou falta de confiança nas instituições. Há, portanto, uma parcela invisível que não aparece nas estatísticas.
O enfrentamento exige mais do que punição depois que a agressão ocorre. É necessário fortalecer as delegacias especializadas, ampliar casas de acolhimento, garantir atendimento psicológico e assistência jurídica, fiscalizar medidas protetivas e proporcionar condições para que as vítimas reconstruam suas vidas com autonomia.
Também é indispensável investir em educação e prevenção. A violência contra a mulher não começa necessariamente com uma agressão física. Muitas vezes, ela se manifesta primeiro por meio do controle, da humilhação, do isolamento, da perseguição e da violência financeira.
Cada processo representa uma mulher que precisou recorrer à Justiça para tentar interromper um ciclo de sofrimento. Não são apenas números em um painel. São vidas ameaçadas, famílias afetadas e direitos fundamentais violados.

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