08:17 - Quinta-Feira, 05 de Novembro de 2026

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A violência doméstica

Data da Publicação:

05/11/2026

Minas Gerais chegou a setembro de 2026 com 83.762 processos relacionados à violência doméstica, ocupando o terceiro lugar em números absolutos no país. À frente aparecem São Paulo e Paraná. O levantamento divulgado pelo Poder360 expõe uma realidade que exige mais do que indignação passageira: exige resposta permanente do poder público e da sociedade.
A sequência nacional preocupa. Foram 597.824 registros em 2020, 692.620 em 2021, 755.098 em 2022 e 916.790 em 2023. São números que mostram a dimensão da demanda que chega à Justiça. Por trás de cada processo existem histórias de medo, humilhação, ameaças e agressões que comprometem a vida de mulheres e de suas famílias.
É necessário compreender o alcance desses dados. Processos judiciais não representam, necessariamente, o total de ocorrências policiais nem permitem contar individualmente todas as vítimas. Tampouco o crescimento dos registros, isoladamente, explica quanto decorre do aumento da violência ou da maior procura por proteção. Ainda assim, o volume é suficiente para demonstrar a urgência do problema. O levantamento também não inclui os processos classificados como feminicídio.
O enfrentamento precisa começar antes que a agressão se repita ou se torne fatal. A mulher que pede ajuda deve encontrar acolhimento, atendimento preparado e proteção efetiva. Uma denúncia não pode se perder entre repartições, assim como uma ameaça não pode ser tratada como simples desentendimento doméstico.
Também é preciso olhar para as condições de quem tenta romper uma relação violenta. Como sair de casa sem renda, sem lugar para morar e com filhos para proteger? Cobrar uma decisão da vítima, sem oferecer condições para que ela a sustente, é transferir a responsabilidade para quem já sofre. Segurança, assistência social, saúde, moradia e oportunidades de trabalho precisam fazer parte da mesma resposta.
Nos municípios, inclusive em Poços de Caldas, essa responsabilidade deve aparecer no orçamento, na preparação das equipes e na continuidade dos serviços. Campanhas ajudam a informar, mas a proteção precisa funcionar todos os dias.

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