04:30 - Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2026

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Foto: GPT

Tarifas

Data da Publicação:

29/07/2025

O anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de novas tarifas comerciais a partir de 1º de agosto, atingindo diretamente o Brasil, evidencia mais do que um movimento protecionista norte-americano. Expõe, com clareza alarmante, a fragilidade da diplomacia brasileira frente aos grandes centros de poder mundial.
Enquanto países como Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão conseguiram, em tempo hábil, negociar com Washington e garantir exceções ou concessões, o Brasil ficou isolado, sem qualquer margem de barganha. A frase de Trump – “1º de agosto é para todos” – dita ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não deixa dúvidas sobre a rigidez da medida e sobre a ausência de diálogo eficaz com o governo brasileiro.
O episódio revela não apenas a perda de influência do Brasil no cenário internacional, mas também o resultado de uma política externa errática, pouco estratégica e marcada por rupturas diplomáticas com antigos parceiros. O país, que já teve papel de destaque nas articulações multilaterais, agora parece relegado à condição de coadjuvante em negociações decisivas.
Mais preocupante que a tarifa em si é a mensagem que ela carrega: o Brasil está cada vez mais vulnerável diante dos choques externos e menos capaz de proteger seus interesses comerciais por meio da diplomacia. O isolamento nas negociações é um alerta para a necessidade urgente de reconstrução das pontes diplomáticas que foram desfeitas, sob pena de agravarmos ainda mais nossa dependência econômica e nossa marginalização geopolítica.
A retomada de uma política externa proativa, técnica e pautada pelo diálogo multilateral é não apenas desejável – é imperativa. O mundo não espera por quem cruza os braços.

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