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A violência e o cidadão

Data da Publicação:

18/09/2026

A percepção de insegurança deixou de ser apenas uma inquietação cotidiana para se consolidar como uma das maiores preocupações dos brasileiros. Pesquisa nacional divulgada pela Quaest, em parceria com a Pax, mostra que oito em cada dez entrevistados consideram que a violência aumentou no país nos últimos dois anos. Para 73%, além de mais numerosos, os crimes também se tornaram mais violentos.
Os números traduzem um sentimento facilmente reconhecido nas ruas. Crimes contra o patrimônio, violência doméstica, atuação de organizações criminosas e episódios de brutalidade passaram a fazer parte do noticiário diário. Quando a população modifica hábitos, evita determinados locais e teme sair de casa, a insegurança já comprometeu muito mais do que as estatísticas: atingiu a liberdade das pessoas.
Não surpreende, portanto, que a violência apareça na pesquisa como o principal problema do Brasil, com 28% das menções, superando corrupção, economia, saúde, desemprego e educação. O resultado deve ser recebido como um alerta pelas autoridades e também pelos candidatos que disputarão as próximas eleições. Segurança pública não pode ser tratada apenas como tema de campanha, explorado por meio de discursos inflamados e promessas de soluções imediatas.
A maioria dos entrevistados — 67% — defende punições mais rigorosas para os criminosos. A cobrança é compreensível. A impunidade enfraquece a confiança nas instituições e estimula a sensação de que o crime compensa. Entretanto, endurecer penas, isoladamente, não resolverá um problema que possui raízes profundas e diferentes manifestações.
O país precisa de investigação eficiente, inteligência policial, integração entre as forças de segurança e um sistema de Justiça capaz de oferecer respostas rápidas. Também são indispensáveis investimentos em prevenção, educação, oportunidades para os jovens, tratamento da dependência química e recuperação dos espaços públicos. Da mesma forma, o sistema prisional precisa deixar de funcionar como ambiente de recrutamento e fortalecimento das organizações criminosas.
União, estados e municípios possuem responsabilidades distintas, mas devem atuar de maneira coordenada. Aos governos estaduais cabe estruturar e valorizar as polícias. O governo federal precisa enfrentar o tráfico de armas, o crime organizado e as redes criminosas que atravessam fronteiras. Os municípios, por sua vez, podem contribuir com iluminação, monitoramento, ordenamento urbano, políticas sociais e ações preventivas.
A população tem razão ao exigir firmeza.
Quando a violência ocupa o primeiro lugar entre as preocupações nacionais, não há espaço para improvisação. O Brasil necessita de uma política de segurança permanente, baseada em dados, planejamento e cooperação. Recuperar a tranquilidade das ruas e a confiança dos cidadãos é uma obrigação do Estado e uma prioridade que não pode mais ser adiada.

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