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Confiança

Data da Publicação:

14/11/2025

Em um mundo cada vez mais conectado, paradoxalmente cresce a sensação de que confiamos cada vez menos uns nos outros. O levantamento global do Integrated Values Surveys (IVS), publicado em 2024, escancara essa realidade: apenas 7% dos adultos brasileiros acreditam que “a maioria das pessoas pode ser confiável”. O dado é alarmante — e revelador.
A confiança social, estudada há décadas por economistas e cientistas políticos, é um dos pilares invisíveis que sustentam o funcionamento de uma sociedade: facilita negociações, fortalece instituições, reduz conflitos e impulsiona o desenvolvimento econômico. É, portanto, um ativo tão valioso quanto escasso no Brasil atual.
Enquanto patinamos, o mapa mundial mostra que essa é uma luta que outros países enfrentam com mais sucesso. Dinamarca (74%), Noruega (72%) e Finlândia (68%) lideram o ranking de confiança, repetindo uma tradição nórdica marcada por instituições sólidas, forte coesão social e baixos índices de desigualdade. A China, com 63%, aparece como o único país não ocidental entre os dez primeiros — um dado que revela, no mínimo, caminhos diferentes para a construção de vínculos sociais.
O contraste é inevitável. No Brasil, convivemos com décadas de desigualdade estrutural, violência urbana, instabilidade política e uma crise permanente na confiança das instituições. Quando o cidadão não confia no Estado, nos serviços públicos, na classe política e sequer no próximo, instala-se um círculo vicioso: menos confiança gera menos cooperação; menos cooperação gera mais conflito; mais conflito aprofunda a desconfiança.
A reconstrução da confiança é lenta, exige continuidade e começa por três frentes: instituições fortes, redução da desigualdade e educação cívica. Países do topo do ranking não chegaram lá por acaso; investiram durante décadas em transparência, previsibilidade, estabilidade governamental e políticas públicas que reduzem abismos sociais. Sem essa base, qualquer tentativa de fortalecer a confiança se perde no ar.
O dado do IVS não é apenas um retrato estatístico — é um alerta. A desconfiança não é apenas um sentimento; é um obstáculo concreto ao progresso econômico, ao desenvolvimento humano e ao próprio funcionamento da democracia.

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