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“Entre a Visão Urbana e o Vazio de Liderança”

Data da Publicação:

06/01/2026

Às vezes sou criticado por relembrar alguns fatos do passado ou de alguém que fez historia. Preocupo-me com o futuro de nossa cidade e o que virá. Mas não tem como! Não é apenas saudosismo, são fatos. Por exemplo:

Quem foi o principal mentor conceitual do desenho do Centro? Francisco Escobar.

Ele não desenhou ruas com régua, mas foi o mentor político e intelectual do modelo urbano. Escobar tinha formação jurídica e visão urbanística avançada, governou por quase uma década, o que foi crucial.

Impôs diretrizes claras: ruas largas, calçadas largas, alinhamento rigoroso, praças estruturantes, arborização, numeração, higiene e circulação. Pensava Poços como cidade termal internacional, não como uma “vila mineira.”

Em termos modernos: Escobar foi o “urbanista-chefe”, mesmo sem ser arquiteto.

Quem transformou a idéia em cidade construída? João Batista Pancini: Arquiteto-construtor (engenharia prática). Atuou no alinhamento físico das ruas, edificações e lotes, executou o que hoje chamaríamos de “Urbanismo de Implantação”.

Ele não criou o conceito, mas materializou o Centro.

Quem trouxe a lógica técnica moderna? Saturnino de Brito, engenheiro sanitarista que introduziu critérios técnicos modernos: drenagem, saneamento, adaptação ao relevo. Influenciou decisivamente a largura das vias e a leitura do terreno.

O segredo do Centro de Poços (por que ele é tão bom?)

O Centro é moderno porque: Foi pensado antes de ser ocupado, não seguiu o padrão colonial mineiro (ruas estreitas). Seguiu o modelo europeu de cidade termal. Houve: vontade política, tempo de gestão, controle do alinhamento e execução consistente. Isso era raríssimo no Brasil do início do século XX.

O Centro de Poços de Caldas não é obra de um arquiteto isolado, mas o resultado de um projeto urbano moderno, liderado politicamente por Francisco Escobar, executado por arquitetos-construtores como João Batista Pancini e qualificado tecnicamente por engenheiros sanitaristas como Saturnino de Brito. Esse conjunto explica a excepcional qualidade urbana do Centro, mesmo em terreno montanhoso.

E agora? Faz muito “tempo” que Poços de Caldas não tem uma liderança a frente do seu “tempo”.

 

SILAS LAFAIETE

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