Para que a memória não se perca, publicamos a crônica do advogado e jornalista Raul Ferreira para o jornal A Justiça, n° 996, de 14 de dezembro de 1941.
A BAUXITA DE POÇOS DE CALDAS
Hugo PONTES*
“Os jornais de S. Paulo noticiam, em entrevista com o sr. Mário da Silva Pinto, diretor da Produção Mineral do Ministério da Agricultura, que as reservas de bauxita de Poços de Caldas poderão ser avaliadas em cem milhões de toneladas, o que bastaria no atual consumo do mundo para abastecê-lo por ¼ de século. O governo autorizou recentemente medidas de financiamento no valor de 100 mil contos para a fundação de uma Usina de Alumínio em Ouro Preto e outra em S. Paulo, por sua vez aproveitando o minério de Poços de Caldas.
Sempre nos acalentou a ideia de que Poços de Caldas, sobre ser privilegiada de tantos benefícios naturais, que sentimos, vemos e usufruímos, e que estão, de fato, em perfeita harmonia com justas apreciações – não poderia conservar-se em posição destoante no que diz respeito ao seu subsolo, cujo aspecto ou configuração exterior faz realmente supor que riquezas minerais, desconhecidas e inexploradas, jazem esquecidas no local de sua formação, em grande quantidade, até que, um dia, sejam trazidas ao aproveitamento geral e coletivo do mundo industrial em suas diversas modalidades.
Dentro de seu perímetro territorial, coube a Poços de Caldas o especial privilégio de possuir, em grande aluvião, focos de bauxita, cuja ocorrência e exploração recentes fazem antever grandes e promissoras conveniências econômicas e materiais na vida de Poços de Caldas.
As grandes reservas do minério de alumínio – a bauxita – verificadas nesta zona são, dentre todas, reconhecidas pelo abalizado engenheiro Mário da Silva Pinto como as mais importantes do mundo e virão indubitavelmente assinalar o início venturoso de um futuro feliz, próximo a desvendar-se na vida desta terra, que conta mais este elemento de subido valor.
Com as grandes reservas de bauxita e outras que serão talvez novas surpresas a desvendar-se no planalto de Poços de Caldas, é de prever-se que realmente está reservado ao destino desta zona um porvir que será a satisfação plena das esperanças de que se acha possuída, na hora presente, a população local.
Notamos com prazer que todas estas considerações justificam cabalmente o que temos evidenciado com relação à vida evolutiva desta terra, onde tantos outros elementos de vida se acham ainda circundados de tantos tropeços que, aos poucos e dificilmente, vão sendo vencidos, restando, talvez, muita coisa valiosa a aparecer que se encontra inda envolta na incógnita do futuro desta zona.