19:43 - Sábado, 19 de Setembro de 2026

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Saúde Mental: um compromisso diário, não um luxo

Data da Publicação:

14/04/2026

No dia 7 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Saúde. Campanhas são lançadas, ressalta-se a importância de vacinas, exames preventivos e acompanhamento médico regular. No entanto, ainda há uma dimensão essencial da saúde que frequentemente permanece à margem das prioridades coletivas: a saúde mental.
Por muito tempo, saúde foi compreendida apenas como ausência de doenças físicas. Hoje sabemos que uma pessoa pode estar com exames em dia e, ainda assim, viver sob intenso sofrimento emocional. Ansiedade constante, irritabilidade, insônia, sensação de vazio, cansaço persistente e dificuldade de concentração não aparecem em radiografias, mas impactam profundamente a qualidade de vida.
A vida contemporânea impõe um ritmo acelerado. Somos estimulados a produzir mais, responder mais rápido, sermos melhores em tudo. A lógica da performance atravessa o trabalho, a vida familiar e até os momentos de lazer. Nessa corrida, muitas vezes o corpo começa a dar sinais: dores sem causa orgânica clara, queda de imunidade, alterações no apetite. O que chamamos de “estresse” pode ser o nome socialmente aceito para um sofrimento emocional não cuidado.
Ainda existe resistência quando o assunto é buscar ajuda psicológica. Parte dela vem do preconceito; outra, da crença equivocada de que só precisa de acompanhamento quem está “em crise”. No entanto, cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza. É investimento preventivo. Assim como fazemos check-ups médicos, também podemos e deveríamos revisar nosso estado emocional.
Prevenção em saúde mental envolve hábitos simples e consistentes: reconhecer limites, aprender a dizer não, estabelecer pausas reais de descanso, cultivar vínculos seguros e reservar tempo para atividades que tragam significado. Envolve também observar padrões repetitivos de sofrimento, conflitos recorrentes e dificuldades persistentes nos relacionamentos.
Outro ponto fundamental é compreender que saúde mental não é responsabilidade exclusivamente individual. Ambientes de trabalho tóxicos, relações abusivas, jornadas exaustivas e insegurança constante corroem o equilíbrio psíquico. Falar de saúde mental é também discutir cultura organizacional, políticas públicas, redes de apoio e acesso a serviços especializados.
Valorizar a saúde mental é reconhecer que emoções influenciam decisões, relações e produtividade. É preciso abandonar a ideia de que “aguentar firme” é sinônimo de maturidade. A saúde que realmente sustenta uma vida plena não é apenas a que permite continuar funcionando, mas a que possibilita viver com equilíbrio, sentido e dignidade. E isso inclui, necessariamente, aquilo que não se vê, mas se sente todos os dias.
Neste mês em que celebramos o Dia Mundial da Saúde, talvez a pergunta mais importante seja: como está a minha saúde emocional? Tenho ignorado sinais de sobrecarga? Tenho respeitado meus limites? Tenho buscado apoio quando necessário?

Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero

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