O Senado Federal se prepara para uma votação de alto impacto: a análise do projeto de lei que legaliza a exploração de jogos de azar no Brasil, como bingo, cassino, jogo do bicho, turfe e outras modalidades atualmente proibidas. Pautado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o texto deve ser apreciado nesta terça-feira, 8, após ter sido aprovado pela Câmara dos Deputados ainda em 2022. Desde então, a medida ganhou novo fôlego, com apoio de Alcolumbre e, sobretudo, do governo Lula.
A proposta prevê autorizações para a realização de bingos em estádios e casas especializadas, retomada do tradicional jogo do bicho, turfe (corridas de cavalo) e cassinos integrados a resorts. A intenção é clara: legalizar o que há décadas já movimenta bilhões na clandestinidade, trazendo esse setor para a luz da regulamentação e, principalmente, da arrecadação tributária.
O avanço do projeto ocorre em meio a um lobby vigoroso por parte de empresários do setor, que veem nesse mercado uma mina de ouro ainda intocada. Estima-se que a legalização poderia gerar milhares de empregos diretos e indiretos, além de reforçar os cofres públicos com a cobrança de diversos tributos. A promessa de desenvolvimento turístico, sobretudo com cassinos em resorts, também é apontada como um dos atrativos da proposta.
No entanto, a questão não é isenta de controvérsias. Especialistas em saúde pública e em políticas sociais alertam para os riscos do aumento de vícios, endividamento de famílias e problemas sociais associados ao jogo. Sem um marco regulatório rigoroso, campanhas de conscientização e mecanismos de controle, a legalização pode agravar problemas já existentes — sobretudo em populações vulneráveis, mais suscetíveis à ilusão do ganho fácil.
É possível regulamentar com responsabilidade, como já ocorre em países desenvolvidos? Ou estaremos apenas abrindo as portas para um novo tipo de problema social?
Mais do que uma aposta econômica, a decisão que o Senado está prestes a tomar deve ser baseada em estudos técnicos, responsabilidade social e ampla escuta da sociedade. Que não se jogue o destino de milhões de brasileiros em uma roleta mal planejada.