O mais recente levantamento do Sebrae Minas, com base nos dados do Caged, confirma o que já se tornou tendência: Minas Gerais voltou a gerar empregos de forma consistente. Em junho, foram 24.228 novos postos de trabalho, um aumento expressivo de 15,2% em relação ao mês anterior. No papel, o número impressiona — fruto da diferença entre 237.555 admissões e 213.327 desligamentos.
Mas o dado que deveria ganhar as manchetes não está apenas na cifra global. Das vagas criadas, 80,4% vieram das micro e pequenas empresas. Estamos falando de 19.476 contratações, o segundo maior saldo do ano e a terceira alta consecutiva. É a prova viva de que a engrenagem da economia mineira — e brasileira — não gira apenas pelos grandes grupos econômicos, mas, sobretudo, pela força e pela resiliência do pequeno empreendedor.
Ainda assim, a pergunta que ecoa é inevitável: o pequeno empresário recebe do poder público, das instituições financeiras e da sociedade o mesmo reconhecimento e apoio que as grandes corporações? Muitas vezes, a resposta é um incômodo “não”. O excesso de burocracia, o crédito caro, a carga tributária desproporcional e a falta de políticas específicas ainda pesam mais sobre quem tem menos estrutura.
Valorizar as MPEs não é apenas um ato de justiça econômica, mas uma estratégia inteligente para o desenvolvimento sustentável. São elas que geram empregos mais rápido, movimentam o comércio local, diversificam a economia e mantêm o dinheiro circulando nas comunidades. O dado do Sebrae é, portanto, um lembrete claro: se queremos mais crescimento, precisamos parar de tratar o pequeno como secundário e passar a vê-lo como protagonista. Afinal, ele já está sustentando a maior parte do espetáculo.