03:13 - Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2026

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Data da Publicação:

23/02/2026

Os números mais recentes sobre as pequenas e médias empresas brasileiras revelam um contraste que merece reflexão. Em 2025, mesmo diante de um ambiente econômico marcado por incertezas, 57,8% das PMEs registraram aumento no faturamento. Destas, 29,4% cresceram até 20%, enquanto 28,4% superaram essa marca. Trata-se de um resultado expressivo, especialmente em um país que convive com inflação persistente, crédito restrito e oscilações políticas.
Ao mesmo tempo, quase metade dos empreendedores projeta deterioração do cenário econômico em 2026. A principal preocupação, segundo o levantamento que ouviu mais de 800 gestores — cerca de 70% deles sócios ou fundadores —, é a incerteza política em ano eleitoral, apontada por 64% dos entrevistados. O dado supera até mesmo temores tradicionais como a inflação de custos e a escassez de mão de obra.
Esse aparente paradoxo — crescimento concreto no presente e pessimismo em relação ao futuro — revela muito sobre o espírito do empreendedor brasileiro. Ele desconfia do ambiente macroeconômico, mas confia na própria capacidade de gestão. Não por acaso, entre os que se declaram pessimistas, 70% ainda acreditam que seus próprios negócios terão desempenho melhor em 2026.
Essa confiança seletiva mostra que as PMEs seguem sendo o motor silencioso da economia nacional. São elas que geram empregos, movimentam bairros, fortalecem cadeias produtivas locais e mantêm viva a dinâmica econômica mesmo em períodos de instabilidade. Em cidades como Poços de Caldas, esse papel é ainda mais visível: comércio, serviços, pequenas indústrias e empresas familiares formam a base da arrecadação e da geração de renda.
O cenário, porém, exige responsabilidade. A instabilidade política e as indefinições fiscais não são meros ruídos — impactam decisões de investimento, contratação e expansão. O poder público, em todas as esferas, precisa oferecer previsibilidade, segurança jurídica e políticas que estimulem a atividade produtiva. Empreendedor não pede privilégio; pede clareza de regras.
Para 2026, o desafio será transformar cautela em planejamento. Em ano eleitoral, o debate precisa ir além das promessas e focar em propostas concretas para o ambiente de negócios: simplificação tributária, acesso ao crédito, qualificação profissional e estímulo à formalização.
O Brasil real, aquele que acorda cedo para abrir as portas do comércio e fechar o caixa no fim do dia, já mostrou que sabe resistir. Agora, é preciso que o ambiente institucional acompanhe essa disposição.

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