Wiliam de Oliveira
Vivemos a individualidade cotidiana: nossas alegrias, nossas dores, nossos desafios.
Mas há algo que faz toda a diferença: hoje, sentimos na própria pele as dores do mundo. E a globalização nos ensinou, de maneira definitiva, que somos partes de um único todo.
A atitude do outro, somada à nossa, interfere e impacta o resultado de nossas vidas individuais. Aquilo que acontece distante pode, de repente, bater à nossa porta.
Isso se tornou ainda mais concreto em 11 de setembro de 2001, há 25 anos, quando as torres do complexo do World Trade Center, em Nova York, foram atingidas e vieram abaixo, levando consigo quase três mil vidas.
As imagens da tragédia, transmitidas pela televisão em tempo real, nos deixaram perplexos.
Parecia um filme de ficção.
Mas era a realidade.
E uma realidade que anunciava que, depois daquele dia, o mundo nunca mais seria o mesmo.
O medo, a insegurança e a desconfiança passariam a acompanhar, de alguma maneira, cidadãos de diferentes países, culturas e religiões.
O impacto nas Torres Gêmeas nos trouxe, brutalmente, a consciência de que moramos na mesma casa.
Somos como fontes de energia cósmica, gravitamos nessa imensa constelação chamada humanidade e interferimos, a cada uma de nossas ações, no processo de evolução — ou de destruição — do mundo que compartilhamos.
Ninguém está verdadeiramente sozinho.
Mesmo aquele que vive solitário, trancado em um quarto, produz uma energia que ultrapassa as paredes, atravessa as frestas da porta, passa pelo buraco da fechadura e se espalha pelo vento.
Viajamos pelo universo carregando aquilo que somos.
E, de alguma maneira, solidificamos tudo aquilo que alimentamos em nosso coração.
Por isso, a matemática universal é simples: somos o resultado da soma das individualidades.
O que pensamos dentro de nossas casas repercute na rua.
O que fazemos na rua repercute no bairro.
O bairro compõe a cidade.
A cidade compõe o país.
E os países compõem o mundo.
Somos, portanto, muito mais responsáveis pelo destino coletivo do que imaginamos.
Somos feitos à imagem e semelhança de um Deus vivo — e, com essa condição, recebemos também a responsabilidade de compartilhar amor, compreensão e paz.
Não para conquistar uma felicidade passageira, mas para alcançar algo maior: a serenidade de saber que contribuímos com a nossa pequena parcela para o equilíbrio e a harmonia das relações humanas.
As Torres Gêmeas caíram há 25 anos.
Mas a pergunta que permanece de pé é outra: que tipo de torre estamos construindo todos os dias?
Uma torre sustentada pelo medo, pelo ódio, pela intolerância e pela indiferença?
Ou uma torre erguida sobre o respeito, a solidariedade, a compreensão e a paz?
Somos partes de um único ecossistema.
E a soma de nossas atitudes individuais poderá fortalecer — ou colocar ao chão — essa imensa torre chamada Terra.
Talvez essa seja uma das maiores lições daquele 11 de setembro:
nenhuma torre é derrubada por uma única mão.
E nenhuma humanidade será reconstruída sem a participação de cada um de nós.