Ao longo dos anos, temos defendido de forma consistente uma proposta que, embora simples, carrega grande potencial de aprimoramento institucional: a ampliação dos mandatos executivos para cinco anos, acompanhada do fim da reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República, bem como para seus vices.
A razão é direta e difícil de contestar. O atual modelo cria uma distorção evidente no processo democrático ao permitir que quem está no poder dispute a reeleição utilizando, ainda que indiretamente, a estrutura da máquina pública. Trata-se de uma vantagem difícil de equilibrar e praticamente impossível de neutralizar por completo.
Na prática, a linha que separa a atividade administrativa da campanha eleitoral é extremamente tênue. Ações de governo, anúncios de obras, inaugurações e programas públicos frequentemente ganham contornos políticos, especialmente em períodos próximos às eleições. Ainda que exista legislação para coibir abusos, a realidade mostra que os mecanismos de controle nem sempre são suficientes para impedir o uso estratégico da estrutura pública em benefício eleitoral.
Esse cenário acaba por comprometer a igualdade de condições entre os candidatos. Quem já ocupa o cargo parte de uma posição privilegiada, com visibilidade constante, acesso facilitado a recursos institucionais e maior capacidade de influência sobre a agenda pública. Aos demais concorrentes, resta disputar espaço em um campo naturalmente desigual.
A proposta de um mandato único de cinco anos surge, portanto, como uma alternativa equilibrada. Ao eliminar a possibilidade de reeleição, reduz-se o incentivo ao uso político da máquina pública e fortalece-se o foco na gestão. O governante passa a ter um horizonte mais amplo para implementar políticas públicas, sem a pressão imediata de uma nova disputa eleitoral.
Além disso, o modelo contribui para a renovação política, abrindo espaço para novas lideranças e ideias. A alternância de poder é um dos pilares da democracia e deve ser estimulada como forma de evitar a perpetuação de grupos no comando da administração pública.
Em um momento em que a sociedade cobra maior ética na política e mais equilíbrio nas disputas eleitorais, discutir o fim da reeleição e a ampliação dos mandatos não é apenas pertinente — é necessário.