18:03 - Sábado, 19 de Setembro de 2026

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Pai presente: muito além da convivência diária

Data da Publicação:

10/08/2026

No  mês de agosto costumamos ver uma maior presença dos pais nas homenagens feitas nas redes sociais. São mensagens de carinho, fotografias em família e lembranças compartilhadas. Mas a data também pode ser uma oportunidade para refletirmos sobre o que significa, de fato, ser um pai presente?

Durante muito tempo, a figura paterna esteve associada principalmente ao papel de provedor. Cabia ao pai garantir o sustento da família, enquanto o cuidado cotidiano dos filhos era frequentemente atribuído às mães. Hoje, espera-se algo além, como participação, envolvimento e presença afetiva.

Essa reflexão se torna ainda mais importante diante das diferentes configurações familiares que fazem parte da realidade contemporânea. Muitos pais exercem sua paternidade após uma separação, compartilhando a criação dos filhos em lares distintos. Nesses casos, a presença não pode ser medida apenas pela quantidade de tempo convivido ou pelo endereço registrado na certidão.

A presença que marca a vida de uma criança não é apenas física. É também emocional.

Uma criança pode conviver diariamente com o pai e ainda assim sentir-se distante dele. Da mesma forma, um pai que não está presente todos os dias pode construir um vínculo sólido quando participa da vida do filho de maneira genuína, acompanhando seu crescimento, interessando-se por suas experiências e mantendo-se emocionalmente disponível.

Para os filhos, faz diferença sentir que existe um adulto que escuta, acolhe, orienta e demonstra interesse por aquilo que acontece em sua vida. Presença também é perguntar como foi o dia, acompanhar as dificuldades, celebrar conquistas e fazer com que a criança se sinta importante.

Após uma separação, esse exercício nem sempre é simples. Mágoas, divergências e conflitos entre os adultos podem dificultar a construção de uma parentalidade saudável. Quando isso acontece, existe o risco de que os filhos sejam colocados no meio de disputas que não lhes pertencem.

É importante lembrar que a separação encerra uma relação conjugal, mas não a função parental. Os filhos continuam precisando de referências, cuidado e segurança emocional. E, nesse sentido, a capacidade dos pais de manterem seu compromisso com a parentalidade costuma ser mais importante do que a qualidade da relação que mantêm entre si.

A infância é um período em que as crianças constroem sua percepção sobre si mesmas e sobre os vínculos que estabelecem com o mundo. Por isso, experiências de acolhimento, reconhecimento e disponibilidade afetiva deixam marcas profundas. Muitas vezes, os filhos não se lembram dos presentes recebidos ou das datas comemorativas. O que permanece são as experiências emocionais: sentir-se amado, ouvido e valorizado.

Também é importante reconhecer que a paternidade contemporânea apresenta desafios próprios. Muitos homens foram educados em uma cultura em que demonstrar emoções era visto como sinal de fragilidade. Hoje, espera-se que os pais estejam mais próximos dos filhos emocionalmente, participem dos cuidados e compartilhem responsabilidades. Essa mudança exige aprendizado, disponibilidade e, muitas vezes, a revisão de modelos herdados de outras gerações.

Nenhuma criança precisa de um pai perfeito. Precisa de um pai que esteja disposto a construir uma relação. Alguém que erre, aprenda, peça desculpas quando necessário e permaneça presente ao longo do caminho.

Neste Dia dos Pais, talvez valha ampliar o significado da presença. Nem toda família segue o mesmo modelo, mas em qualquer configuração familiar, ser pai vai muito além de uma obrigação ou de um papel social. É participar da construção da história emocional de alguém. E essa presença, feita de interesse, afeto e responsabilidade, pode continuar existindo mesmo quando a vida exige novas formas de estar junto.

Veruska Matavelli Prata Maziero

Psicóloga- CRP 04/79749

Instagram: @psiveruskamaziero

 

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