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INTELIGÊNCIA COLETIVA EM REDE: UM NOVO OLHAR SOBRE AS REDES SOCIAIS

Data da Publicação:

29/10/2024

Gustavo Roberto Januario
Procurador Federal

Redes sociais não são as plataformas. Plataformas servem de suporte para as interações. Em verdade, as redes sociais são pessoas interagindo de forma distribuída (redes distribuídas são redes nas quais as pessoas podem interagir livremente entre si, democraticamente.)
Pois bem, assim como o telefone não é a conversa, a plataforma não é a rede: Redes são feitas de pessoas que comunicam emoções, sentimentos, informações, projetos.
As redes sociais existem desde os primórdios da humanidade. Aristóteles, na obra A política assevera que o homem é um animal político; e que os homens estabeleceram a sociedade civil para viverem felizes.
Nessa mesma linha Hanna Arendt afirma que as atividades humanas são condicionadas pelo fato dos homens viverem juntos. Aduz que a ação e discurso são as atividades humanas necessárias a presentes nas comunidades humanas. Vera Maria Moreira leciona que “ as redes sociais sempre existiram” E que somos seres humanos sociáveis e cooperativos. Certamente foi a cooperação que fez a o ser humano dominar a terra.

Inteligência Coletiva e
seus aspectos
Conceito de Pietro Lévy elaborado a partir da observação e do estudo das redes sociais, isto é, das novas tecnologias de informação e comunicação. Vamos ao conceito: “ é uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada, em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências ” .
A inteligência coletiva é distribuída por toda parte. Isto quer dizer que ninguém possui todas as informações, mas cada pessoa é dotada de inteligências e competências próprias. Quando mobilizadas em conjunto, produzem um resultado maior do que a soma de suas partes.
A inteligência coletiva apresenta um caráter sistêmico que acolhe a diversidade. Afinal, nenhuma parte detém o saber do todo.
A inteligência coletiva é composta de cinco aspectos: ético, econômico, tecnológico, político e estético. Vejamos cada um dos aspectos:
O aspecto ético enfatiza a acolhida da diversidade, enquanto o econômico se concentra nas competências e laços sociais. O aspecto tecnológico refere-se à infraestrutura necessária para comunicação, essencial para a operação da inteligência coletiva. O aspecto político é exemplificado por movimentos sociais que ganham força através da comunicação entre populações.
O caráter estético da inteligência coletiva reside na beleza da colaboração, na harmonia da diversidade e na criatividade emergente do trabalho em conjunto. É a expressão da capacidade humana de construir conhecimento e cultura de forma compartilhada, utilizando a tecnologia como ferramenta para conectar mentes e corações.
Assevera-se que a inteligência coletiva não possui um dono: surge da interação entre as pessoas e organiza processos jamais visto. E tal inteligência é compartilhada em maior extensão pela internet, seja pelas plataformas das redes sociais, seja em sites de pesquisa como a wikpédia.
Nessa esteira, assevera-se que o uso da internet não é só uma questão de tecnologia, mas de aprendizado conjunto; de valorização da diversidade e de trabalho em rede. E que a inteligência coletiva está posta: encontra-se distribuída por toda parte.
Está claro que ninguém possui todo o conhecimento, mas, sim, uma determinada fração que forma esse complexo quebra-cabeça. Portanto, somos chamados a atuar em conjunto, seja na escola, na universidade, no trabalho, enfim, sempre que possível.

Conclusão
As redes sociais, enquanto espaços de interação humana, transcendem as plataformas digitais e se manifestam como um fenômeno intrínseco à nossa natureza social.
A inteligência coletiva, impulsionada pela comunicação e colaboração, emerge como um motor de transformação social, ética, política e cultural. Ao reconhecermos o potencial da inteligência coletiva e a importância da participação individual nesse processo, abrimos caminho para a construção de um futuro mais colaborativo, inovador e democrático.
Afinal, como afirma Pierre Lévy, “ninguém possui todo o conhecimento, mas todos possuem uma parte”. Cabe a cada um de nós contribuir com a nossa peça para completar o quebra-cabeça da sociedade.

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