03:05 - Domingo, 20 de Setembro de 2026

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Fim de ano: entre a cobrança e o recomeço

Data da Publicação:

08/12/2025

Quando o ano se aproxima do fim, é comum que as pessoas façam uma retrospectiva da própria vida. É o momento em que olhamos para trás em busca das metas cumpridas e, inevitavelmente, também das que ficaram pelo caminho.
As redes sociais se enchem de balanços, conquistas e celebrações, e, nesse cenário, muita gente se vê tomada por um sentimento incômodo: a culpa por não ter feito o suficiente.
O final do ano desperta uma mistura de pressão e comparação. Há quem sinta que ficou para trás, que não evoluiu o bastante, que não prosperou como gostaria. É como se o calendário, ao virar, passasse também a medir o próprio valor.
Mas será mesmo que a vida pode ser avaliada apenas por resultados?
Sob o olhar da psicologia, esse tipo de cobrança é reflexo de um padrão moderno de desempenho, em que o “ser” cede lugar ao “fazer”. Vivemos em uma cultura que associa felicidade a produtividade, sucesso a eficiência e descanso a fraqueza.
Esse modelo cria um ciclo de autoexigência que leva ao estresse, à ansiedade e, muitas vezes, à sensação de fracasso mesmo entre aqueles que, objetivamente, conquistaram muito.
A filosofia nos convida a outro caminho: o da reflexão sobre o sentido. Nem toda meta não cumprida é sinal de fracasso; às vezes, é apenas um sinal de que a vida tomou novos rumos, de que aprendemos algo mais importante do que o previsto.
Como escreveu Sêneca, “nenhum vento é favorável para quem não sabe a que porto quer chegar”. Talvez a principal tarefa de cada fim de ano não seja listar metas, mas redefinir portos, compreender o que realmente importa, o que tem valor e o que é apenas ruído.
É fundamental acolher as próprias limitações com compaixão. A frustração é parte natural da existência, e aprender com ela é o que nos torna mais humanos. Refletir, olhando para o ano que passou não com julgamento, mas com curiosidade: o que aprendi? O que posso deixar ir? O que merece ser cultivado no novo ciclo?
O fim do ano não precisa ser uma corrida contra o tempo, mas uma pausa, um momento de silêncio interno, de gratidão pelo que foi possível e de aceitação do que ainda não foi.
Nem sempre precisamos fazer mais; às vezes, precisamos apenas ser mais conscientes do caminho que estamos trilhando.
Entre as luzes e os fogos, vale lembrar que cada recomeço é uma chance de leveza. E que o maior presente que podemos dar a nós mesmos é a liberdade de reescrever nossas metas com menos cobrança e mais sentido.

 

Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero

 

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