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8 de março: vozes que ecoam, direitos que florescem

Data da Publicação:

02/03/2026

Como mulher e psicóloga, aprendi que nossas histórias começam muito antes de ganharem palavras. Elas nascem nos silêncios que suportamos, nas escolhas que nos foram negadas e, sobretudo, na força silenciosa com que seguimos adiante.
É a partir desse lugar, que reflito sobre o Dia Internacional da Mulher, como uma data que simboliza a luta, as conquistas construídas com esforço coletivo e os desafios que ainda nos convocam à transformação.
Há datas que passam pelo calendário. Outras atravessam a alma. O Dia Internacional da Mulher é assim: não nasceu de celebrações delicadas, mas do eco firme de passos em fábricas, de vozes erguidas contra injustiças, de mulheres que ousaram dizer que mereciam mais respeito, mais dignidade, mais direitos.
Sua origem está fincada na luta. No final do século XIX e início do século XX, operárias enfrentavam jornadas desumanas, salários miseráveis e condições indignas. Elas não pediram privilégios; pediram justiça. Em 1975, a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente a data, mas a verdadeira legitimidade já havia sido carimbada muito antes, na coragem de quem enfrentou o medo para transformar a história. E que história.
Cada direito conquistado carrega o peso de batalhas silenciosas: o direito ao voto, ao estudo, ao trabalho, à participação política, à autonomia sobre o próprio corpo. Nada foi simples. Nada foi gratuito. Mulheres romperam padrões, desafiaram estruturas, suportaram críticas e resistiram à invisibilidade para que hoje muitas possam caminhar com mais liberdade.
Mas a caminhada ainda não terminou. Há mulheres que continuam recebendo menos pelo mesmo trabalho. Há aquelas que carregam, sozinhas, o peso da casa, dos filhos, dos cuidados, enquanto equilibram carreira e responsabilidades invisíveis. Há mulheres que entram em espaços de poder ainda sob olhares desconfiados, como se competência tivesse gênero.
E há, sobretudo, aquelas que vivem sob o medo. O enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio não é apenas uma pauta social, é uma urgência humana. Cada estatística tem um nome, uma história interrompida, uma família marcada para sempre. O silêncio precisa ser quebrado. A cultura da desigualdade precisa ser revista desde a raiz.
Falar de empoderamento é falar de autonomia verdadeira. É garantir acesso à educação, independência financeira, oportunidade real de crescimento. É permitir que uma menina olhe para o mundo e não veja limites impostos pelo seu gênero. É fortalecer mulheres para que elas não apenas ocupem espaços, mas os transformem.
A representatividade é farol. Quando mulheres chegam aos tribunais, às universidades, à política, às empresas, à ciência, às artes, elas ampliam o imaginável. Mostram que liderança não tem sexo; tem preparo, sensibilidade, visão. E quanto mais diversas forem essas mulheres: negras, indígenas, periféricas, mães solo, jovens, idosas, mais completa será a construção de uma sociedade justa.
O Dia Internacional da Mulher não é sobre flores. É sobre raízes. Raízes profundas que sustentam famílias, empresas, comunidades. É sobre reconhecer a força que acolhe e, quando necessário, enfrenta. É sobre entender que igualdade não é concessão: é direito, que se fosse respeitado, para além de uma homenagem momentânea, tornando-se um compromisso cotidiano das políticas públicas, da educação dentro de casa e nas escolas, caminharíamos na direção do respeito e da equidade.
Porque quando uma mulher é valorizada, uma criança cresce mais segura. Quando uma mulher é ouvida, uma comunidade se fortalece. E quando uma mulher se levanta, ela nunca se levanta sozinha, ela leva o mundo consigo.

 

Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero

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