A visita a um cemitério nunca é apenas uma caminhada entre túmulos. É um encontro silencioso com a memória, com a saudade e com a história de pessoas que fizeram parte da nossa vida. No Dia das Mães, uma das datas mais emocionantes do calendário, famílias seguem esta tradição de prestar homenagens àquelas que já partiram, mas continuam vivas no coração de filhos, netos e amigos.
Neste domingo, ao lado de minha esposa Áurea, fui ao Cemitério da Saudade visitar o túmulo de sua mãe, a professora Mercedes Mendes. Logo na chegada, foi impossível não notar as melhorias que vêm sendo realizadas no local. O cemitério realmente precisava de atenção. As obras mostram cuidado com um espaço que guarda parte importante da história de Poços de Caldas e merecem reconhecimento. Espero que elas sigam em andamento e contemplem todo o espaço.
Mas a boa impressão rapidamente deu lugar à indignação.
É triste perceber que nem mesmo os mortos escapam da ação de vândalos. Placas arrancadas, fotografias furtadas e túmulos sem identificação revelam um cenário de total desrespeito com as famílias e com a memória daqueles que ajudaram a construir nossa cidade. Caminhar pelas vielas do cemitério é encontrar marcas de abandono provocadas não pelo tempo, mas pela falta de humanidade destes vândalos.
Um dos casos que mais me chamou atenção foi o do túmulo do querido e saudoso Lázaro Walter Alvisi. Não há mais foto. Não há mais placa com nome, datas ou qualquer referência à sua história. Para quem conheceu seu Lázaro, homem respeitado e dono de uma trajetória marcante, a cena causa profunda tristeza. E ele é apenas um entre tantos. Basta olhar ao redor para perceber que vários túmulos sofreram vandalismo semelhante.
O problema vai muito além do furto de objetos. Quando se arranca a identificação de um túmulo, arranca-se também parte da memória de uma família. É como tentar apagar a existência de alguém que foi amado, respeitado e importante para tantas pessoas. Isso não pode ser tratado como algo pequeno.
Cemitérios são locais de respeito, reflexão e preservação da história. Ali estão nomes que ajudaram a construir Poços de Caldas, famílias inteiras que deixaram seu legado na cidade. Permitir que a ação de criminosos continue acontecendo é aceitar que a memória coletiva seja destruída aos poucos.
Fica aqui a indignação, mas também o apelo para que haja reforço na segurança, principalmente durante a noite. Câmeras, vigilância e fiscalização mais intensa são medidas necessárias e urgentes. Melhorar a estrutura do cemitério é importante, mas proteger a dignidade daqueles que descansam ali é essencial.
Respeitar os mortos é também respeitar os vivos, suas histórias e suas lembranças.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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