Hugo PONTES*
O senhor procurador que me desculpe, mas eu também deveria ter imitado os seus passos. Ser seu colega, servidor por excelência. Devia ter seguido os conselhos do meu pai e estudado advocacia, lá nos anos de 1965, quando residia na cidade de Oliveira-MG. Entretanto, rebelei-me e entrei para a Faculdade de Letras a fim de estudar Língua Portuguesa e Língua Francesa, além das respectivas literaturas. Queria porque queria ser professor. Meu pai tentava me dissuadir. Ainda é tempo – faz Direito, filho.
Muito cabeça dura, queria fazer direito aquilo que eu considerava certo:
Ser Professor. As opiniões eram sempre as mesmas: professor ganha mal. Escolha outra profissão e – também – poderá ser professor.
Bem, o tempo passou e em 1967 eu já estava dentro de uma sala de aula, trabalhando muito, ganhando pouco, mas feliz da vida.
Para não alongar, resumo a crônica da seguinte forma: aposentei-me como professor, ou seja, 50 anos depois sem fugir do meu objetivo. Encontro hoje os inúmeros alunos que passaram pelos bancos das nossas salas de aula e todos estudaram e se formaram em cursos técnicos ou fizeram o curso superior. São técnicos em química, eletrônica, alimentos, contabilidade, em segurança do trabalho. Outros se tornaram engenheiros, médicos, dentistas, advogados, ah! Professores…
Todos, acredito, conseguiram ter sucesso nas suas atividades profissionais.
Todos nós, professores – apesar da baixa remuneração recebida – acredito termos feito uma bela carreira como servidores do povo do Estado de Minas Gerais e do município, apesar de nunca termos sido bem remunerados, tanto na ativa quanto como aposentados.
Mas, procurando em cada canto de nossa terra mineira, desconheço algum professor ou professora ou família de professores que não tenham adquirido a sua casa própria, comprado o seu carro, ou proporcionado um curso superior para seus filhos.
Admiro a força e a tenacidade de nossos mestres, pois a despeito dos pouco R$ 4 mil reais de vencimento, todos foram sempre dedicados à causa da educação e nenhum deles se queixou de haver baixado o nível de qualidade da vida, ou gastado mais do que ganhavam e ficaram penduradas em um cartão de crédito.
Certamente eu deveria ter seguido a orientação do meu pai: estudado advocacia, feito um concurso para procurador, ou juiz, ou promotor. E hoje estaria reclamando porque o Estado estaria me pagando o miserê de R$ 30 mil reais, ou mais, reduzindo o meu nível e qualidade “de vida”. Mas seria ou teria sido um homem infeliz. Se me fosse dada a oportunidade de voltar atrás para escolher uma profissão, certamente ainda escolheria ser professor.
*Professor, poeta e jornalista