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Poços de Caldas: a cidade que encanta os olhos, mas aperta o bolso de quem a sustenta

Data da Publicação:

12/06/2026

Poços de Caldas é uma cidade privilegiada. Temos belezas naturais, tradição, qualidade de vida admirada por quem nos visita e um potencial econômico que faz inveja a muitos municípios do nosso porte. Somos cartão-postal, destino turístico e motivo de orgulho para quem nasceu aqui ou escolheu esta terra para construir sua história.
Mas existe uma Poços que nem sempre aparece nas fotografias.
É a Poços de quem acorda cedo para levantar a porta do comércio sem saber se o movimento do mês será suficiente para pagar aluguel, salários, fornecedores, tributos e todas as demais contas que chegam antes mesmo do primeiro cliente entrar.
Nos últimos anos, consolidou-se um paradoxo que merece reflexão: vivemos em uma cidade com o charme do interior, mas com um custo de vida que, muitas vezes, se aproxima ao das grandes capitais.
O pequeno comerciante sente isso todos os dias.
Sente no aluguel comercial cada vez mais elevado. Sente no aumento do custo dos insumos. Sente quando precisa contratar, investir, modernizar o negócio e, ao mesmo tempo, lidar com uma burocracia que consome tempo, energia e recursos preciosos.
E aqui é importante lembrar: o pequeno empreendedor não é apenas um número em estatísticas econômicas. Ele é a dona da cafeteria que conhece seus clientes pelo nome. É o proprietário da padaria do bairro. É quem mantém a oficina funcionando. É a família que investiu as economias de uma vida inteira em uma loja, acreditando no potencial desta cidade.
São essas pessoas que sustentam a economia real. Quando um pequeno negócio fecha as portas, perdemos muito mais do que um CNPJ. Perdemos empregos, arrecadação, circulação de renda e, principalmente, vínculos comunitários. O comércio local é um dos principais responsáveis pela vitalidade dos bairros e pela sensação de pertencimento que tanto valorizamos em Poços de Caldas.
Por isso, precisamos discutir desenvolvimento com mais profundidade.
Uma cidade verdadeiramente próspera não é aquela que apenas atrai turistas aos finais de semana. É aquela que cria condições para que quem vive aqui consiga prosperar o ano inteiro. É aquela em que empreender não seja uma corrida de obstáculos. É aquela em que a gestão pública compreenda que incentivar quem produz riqueza significa fortalecer toda a cadeia econômica.
Desburocratizar processos, revisar taxas que perderam o sentido, simplificar procedimentos e estabelecer uma relação mais próxima entre poder público e setor produtivo não são favores. São escolhas inteligentes para quem deseja uma cidade mais forte, competitiva e justa.
Poços de Caldas precisa continuar sendo bonita. Mas precisa, sobretudo, ser viável.
Porque desenvolvimento que não chega à mesa do trabalhador, ao caixa do pequeno comerciante e ao orçamento das famílias corre o risco de ser apenas cenário.
Eu acredito que quem trabalha, empreende, gera empregos e aposta diariamente nesta cidade não pode ser o último da fila quando pensamos prioridades.
Cuidar de Poços também é cuidar de quem a mantém viva todos os dias.
Que possamos construir uma cidade onde o orgulho de viver aqui seja acompanhado pela tranquilidade de produzir, investir e prosperar. Uma Poços que continue encantando quem chega, mas que, acima de tudo, respeite e valorize quem ficou, acreditou e decidiu construir o seu futuro nesta terra.

Dra. Regina Cioffi
Gestora em Saúde Pública

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