01:17 - Domingo, 20 de Setembro de 2026

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Turismo e Desenvolvimento

Data da Publicação:

10/07/2026

Hugo PONTES*

Este texto é uma leitura do ensaio de Peter E. Murphy, publicado no ano de 2000 sobre Turismo e Desenvolvimento Sustentado.
As mudanças pelas quais o mundo passa faz com que haja transformações significativas dos valores sociais, afetando o modo de agir dos cidadãos, das empresas e das instituições governamentais. O que leva a essas mudanças é a exaustão da economia, e tudo aquilo que se refere aos modos de produção.
“Produzir mais com menos recurso” é a tônica, pois preservar a natureza é parte do cuidado com o meio ambiente.
Porque vimos sacrificando a natureza, hoje vemos uma enorme preocupação com a diminuição dos recursos hídricos; o problema crucial do lixo urbano e industrial e o crescente aquecimento do Globo.
Isso tem preocupado a todos e faz com que inúmeras conferências sobre meio-ambiente e desenvolvimento aconteçam, com debates acalorados sobre os temas mais diversos interligados ao problema.
Dos setores mais sensíveis, o turismo é aquele que mais se vê na berlinda, pois é o que tem como motivação vender o meio-ambiente para seus milhares de clientes-viajantes.
Para tanto, as conferências, simpósios e seminários vêm procurando, através de palestras e debates com especialistas nas diversas áreas, conscientizar os envolvidos em um programa para promover o desenvolvimento sustentado para o setor.
Inúmeros estudiosos, entre eles Danella e Dennis Meadows – desde 1972 – vêm apontando que os recursos naturais da Terra têm um limite e o crescente dano à natureza poderá provocar um colapso físico.
O interesse, desde então, pelo desenvolvimento sustentado faz com que os críticos considerem apenas como um modismo, uma vez que o capital não tem e não vê limites e sua voracidade pelo lucro é maior que a preocupação com a sobrevivência do ser humano sobre a Terra, notadamente nos países do Terceiro Mundo, ou melhor, nos países em desenvolvimento.
Entretanto tudo leva a crer que sem a preocupação do capital apoiando uma efetiva política ambiental, tudo tende a se tornar caótico e chegará o momento em que a economia estará engessada pela falta de recursos naturais. E, convenhamos, não é possível a qualquer ser humano, alimentar-se de dinheiro, ouro ou outro valor que não seja comida.
Considerada a maior fonte de renda do mundo, o setor de turismo é o mais interessado no desenvolvimento sustentado, pois ele depende dos recursos naturais e do ativo cultural da sociedade, a fim de poder se sustentar ativo e economicamente rentável.
Peter Murphy salienta, em seu ensaio enumera que, para haver desenvolvimento sustentado, sete dimensões devem ser observadas
A primeira delas é a administração de recursos; e seguem: atuação dentro dos parâmetros ecológicos; cumprimento de obrigações sociais; apelo estético em relação à paisagem; preocupação com a diversidade biológica; e preservação dos legados culturais.
Tudo isso, sem dúvida, está interrelacionado, significando que deva haver uma política de integração capaz de estabelecer um quadro de preservação do contexto em que a indústria do turismo deve observar para que possa se autossustentar.
Para tanto é importante que haja pesquisa, a fim de que ajustes sejam feitos, corrigindo metas, rumos e práticas. Outro aspecto a ser considerado é o da medida para se avaliar a capacidade de carga suportável e aceitável torna-se primordial para que não haja esgotamento do ambiente a ser explorado.
Importante nisso tudo é verificar que a ideia do desenvolvimento sustentado relacionado ao turismo é uma realidade até mesmo nos países como o Brasil, México, Argentina e Uriguai. Isso porque a literatura sobre o assunto, a contínua exigência de quem pratica o turismo tem levado o setor a uma constante reflexão e busca de estudos e estratégias para a solução do problema.

*Professor, poeta e jornalista

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