O que leva alguém a passar um trote para o SAMU? A pergunta é inevitável, mas a resposta parece não existir. Em Poços de Caldas, somente entre janeiro e junho deste ano, foram 593 trotes registrados. Isso significa quase cem ligações falsas por mês, um número que revela não apenas falta de consciência, mas também de humanidade.
O coordenador do SAMU, Flávio Pessoa, lembra que passar trote para um serviço de emergência não é brincadeira. É um ato grave e irresponsável que pode ter consequências sérias. Cada vez que uma equipe é desviada para atender um chamado inexistente, vidas reais ficam em risco, porque o socorro pode chegar tarde demais a quem realmente precisa.
Além de ser uma conduta reprovável sob o ponto de vista moral, o trote é também uma infração ilegal. Pode resultar em multas, prisão e outras penalidades previstas em lei. Mas, mais do que punição, o que deveria prevalecer é a consciência de que brincar com a dor e a urgência alheia é uma forma de crueldade.
O SAMU existe para salvar vidas. Em cada ligação, pode estar em jogo o destino de uma criança engasgada, de uma vítima de acidente de trânsito ou de alguém em parada cardíaca. Quem ocupa essas linhas com falsos chamados está, de forma direta, ameaçando a vida de desconhecidos.
É preciso refletir: quando um trote substitui um chamado verdadeiro, não se trata de uma simples “brincadeira de mau gosto”. Trata-se de um crime contra a solidariedade e contra o direito fundamental à vida. Denuncie quem pratica este ato irresponsável.