18:16 - Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2026

-

18:16 - Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2026
Foto: GPT

Refém

Data da Publicação:

26/08/2025

Os números revelados pelo estudo Governança Criminal na América Latina: Prevalência e Correlatos são alarmantes e deveriam provocar uma reflexão nacional urgente. Um em cada quatro brasileiros vive sob regras impostas por organizações criminosas. Não se trata apenas de estatística: significa que cerca de 50 milhões de pessoas, dentro do território nacional, estão submetidas ao domínio de facções que ditam normas, controlam territórios e influenciam a vida cotidiana de comunidades inteiras.
Esse dado coloca o Brasil na liderança indesejável do ranking latino-americano de países mais afetados pelo poder paralelo, à frente de nações como Costa Rica, Honduras, Equador e Colômbia. Enquanto, na média regional, 14% da população sofre esse tipo de influência, no Brasil o fenômeno já atinge 25% da sociedade. É um quarto da população vivendo em “Estados dentro do Estado”.
O que esses números expõem, de forma cruel, é a falência das instituições públicas em garantir presença e autoridade nos territórios mais vulneráveis. Onde o Estado é ausente, surgem as facções para ocupar esse espaço — oferecendo “serviços” como segurança, mediação de conflitos, assistência material e até regras de convivência. Mas esse domínio tem um custo altíssimo: a naturalização da violência, o fortalecimento da economia ilegal e a corrosão da cidadania.
Talvez o aspecto mais preocupante seja a tendência de naturalizar essa realidade. Crianças crescem sob a lógica imposta pelo crime, jovens têm sua mobilidade social restrita e comunidades inteiras perdem a esperança de ver a lei e a justiça prevalecerem. O resultado é uma espiral perversa em que o poder público perde legitimidade e o crime ganha status de “autoridade”.

Leia Também

foto-seguranca-editorial-18-09-2026

A violência e o cidadão

18/09/2026

A percepção de insegurança deixou de ser apenas uma inquietação cotidiana para se consolidar como uma das maiores preocupações dos brasileiros. Pesquisa nacional divulgada pela Quaest, em parceria com a

foto--crise-editorial-18-09-2026

Crise de confiança

18/09/2026

A pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta quinta-feira (17) acende um sinal de alerta para a democracia brasileira. O levantamento revela o descontentamento da maioria da população com algumas das principais

foto-inadimplencia-16-09-2026

Inadimplência

16/09/2026

O crescimento acelerado da inadimplência entre os brasileiros é mais do que um indicador negativo do mercado financeiro. É um retrato preocupante de famílias que passaram a conviver com um

foto-o-custo-da-saude-15-09-26

O custo da saúde

15/09/2026

Cuidar da saúde está cada vez mais caro. O peso aparece no orçamento das famílias, nas despesas das empresas e, sobretudo, nas contas do poder público. Consultas, exames, medicamentos, internações

foto-violencia-domestica-14-09-2026

Violência doméstica

14/09/2026

Os números da violência doméstica em Minas Gerais são alarmantes. Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça mineira recebeu 62.569 novos processos relacionados a agressões contra mulheres. Isso representa

foto-editorial_estabilidade_11-09-26

A estabilidade preocupante

11/09/2026

O fato de o endividamento das famílias brasileiras ter permanecido em 82% em agosto, repetindo o índice de julho, não deve ser interpretado como sinal de tranquilidade. Quando mais de

Login de Assinante

Ainda não é assinante?

Ao se tornar assinante, você ganha acesso a matérias e análises especiais que só nossos assinantes podem ler. Assine agora e aproveite todas essas vantagens!