Após alguns anos de expansão contínua, impulsionados pela retomada pós-pandemia, os números mais recentes revelam uma virada preocupante no turismo de Minas Gerais. O primeiro semestre de 2025 encerrou com retração de -1,8% na atividade turística, enquanto o cenário nacional avançou 6,6% no acumulado do ano. A discrepância expõe fragilidades e cobra respostas urgentes.
De janeiro a junho, apenas fevereiro e março apresentaram saldo positivo no estado. Em junho, a queda em Minas foi de -4,2% frente a maio, muito acima do recuo médio nacional de -0,9%. A comparação anual reforça a gravidade: frente a junho de 2024, a retração foi de -7,6%, quando no Brasil o setor ainda cresceu 4,1%. Ou seja, enquanto o turismo brasileiro consolida ganhos, Minas desacelera.
Os números sugerem que a atividade turística mineira enfrenta obstáculos estruturais. Custos crescentes, deficiências de infraestrutura, sazonalidade das atrações e limitações em campanhas de promoção podem estar pesando. Além disso, a concorrência com destinos nacionais que investiram em eventos, conectividade e atrativos culturais pode estar desviando fluxos turísticos.
Como aponta a economista Fernanda Gonçalves, da Fecomércio MG, a queda é um sinal de alerta para políticas públicas e para a iniciativa privada. Minas, com sua diversidade cultural, histórica e natural, não pode perder espaço em um setor que responde por empregos, renda e dinamização da economia local.
A retração do turismo deve ser vista não apenas como dado estatístico, mas como um desafio estratégico. É hora de rever políticas de incentivo, reforçar a promoção do estado em mercados nacionais e internacionais.
Se o Brasil avança e Minas recua, a diferença não é de vocação, mas de gestão e investimento.