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100 anos da Caldense

Data da Publicação:

05/09/2025

Hugo Pontes*

As datas controvertidas sobre o momento em que a Associação Atlética Caldense foi fundada só fazem enriquecer a história de um time de futebol, depois tornado um clube, que é orgulho e tradição para Poços de Caldas.
Quando escrevi, pela primeira vez, a história da AAC, tive a preocupação em fazer o relato mais fiel possível conforme os documentos, fotos, depoimentos e informações conseguidas junto à população poços-caldense.
Como não deixar de registrar as palavras de João Gomes Negrão, ex-jogador da primeira formação do time, jovem de 18 anos naquele distante ano de 1925.
Palavras dele: “Eu estava lá. Não me lembro das outras pessoas, mas a Caldense foi fundada numa reunião no Bar e Restaurante São José, do João Durante, localizado perto da atual Casa Carneiro, na Avenida Francisco Salles, às oito horas da noite do dia 7 de setembro de 1925”.
E o primeiro jogo foi contra o time de Caldas, sendo que a Caldense venceu por 5 x 0”.
Por outro lado, Bruno Fosco Pardini, em artigo escrito a 7 de setembro de 1954, para a Folha de Poços Esportiva, dizia: Foi em uma noite chuvosa e fria de 7 de setembro de 1925, quando ainda ecoavam pelas ruas da cidade os últimos acordes cívicos da grande data nacional que, no fundo do extinto Politeama, no Bar do Mendonça, um pugilo de homens, dirigidos pela máscula figura de Affonso Junqueira, transformaram o velho e glorioso Internacional, cores queridas da torcida daqueles tempos, na nova entidade esportiva das camisas verdes”.
A par desses depoimentos, um registro do jornal “A Justiça” traz uma data que marca o início da presença da Caldense na vida da cidade: uma reunião – realizada a 16 de novembro de 1925, na sede provisória nas dependências da “Photographia Selecta”, de João de Moura Gavião – ocasião em que se elegeu a primeira diretoria do time.
Claro está que, pela documentação produzida na época, deveríamos considerar que essa data é a da culminância de um movimento que vinha sendo sedimentado por um grupo de rapazes desde fevereiro de 1925, data em que o Internacional F.C. encerrou as suas atividades, deixando sem time inúmeros trabalhadores que aos domingos e feriados gostavam de bater bola nos campos improvisados da cidade.
Talvez não seja sem razão que João Porfírio Bueno Brandão Filho, presidente da AAC em 1928, ou seja, três anos depois, tenha comemorado a data de aniversário a 7 de setembro. Ou que quatorze anos mais tarde, o diretor João Coelho da Silva tenha oficializado essa data com registro em cartório.
Os fatos, enfim, estão colocados.
Nosso registro histórico e compromisso foi mostrar o quanto naquele ano de 1925 havia um clima de otimismo e efervescência na cidade que mostrava desenvolvimento e progresso.
Podemos dizer que as datas oficiais e registros são marcos importantes. Como, quando e onde tudo começou somente os personagens da época poderiam dizer e isso alguns o fizeram em depoimentos orais e escritos.
As palavras – daqueles como João Gomes Negrão, ou Fosco Pardini ou Caetano Lamberti que estiveram no centro dos acontecimentos e ajudaram a construir a história da agremiação cujo centenário ora se comemora neste 2025 – são valiosas.
Importante é destacar que, desde João de Moura Gavião, passando por inúmeros outros presidentes, chegando até Rovilson Ribeiro, a AAC se mantém como uma das glórias do futebol mineiro e brasileiro.

*Professor, poeta e jornalista.

 

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