O balanço da Operação Shamar, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, impressiona pelos números: mais de 12 mil prisões entre 1º de agosto e 4 de setembro, 81 mil vítimas atendidas, 53 mil medidas protetivas aplicadas, além da apreensão de armas, drogas e munições que poderiam ser usadas em agressões. A ação, de alcance nacional, é uma resposta firme ao problema persistente da violência doméstica e do feminicídio.
Os resultados mostram a capacidade do Estado de agir de forma coordenada e eficaz quando a prioridade é clara. Contudo, os números também revelam a dimensão da tragédia: milhares de mulheres ainda vivem em risco dentro de seus próprios lares. As prisões, por mais necessárias que sejam, não apagam a sensação de vulnerabilidade que acompanha muitas vítimas mesmo após medidas protetivas.
O desafio maior, portanto, vai além da repressão. É preciso garantir segurança real e permanente a quem denuncia. Isso exige investimento em casas de acolhimento, fortalecimento das redes de apoio psicológico e social, maior integração entre sistema de justiça, saúde e assistência social e, sobretudo, mudança cultural que iniba comportamentos abusivos antes que se transformem em violência.
A Operação Shamar cumpre um papel fundamental e demonstra que o Estado não está omisso. Mas a verdadeira vitória virá quando nenhuma mulher precisar temer voltar para casa. A repressão é importante; a proteção integral às vítimas é imprescindível.