O Brasil alcançou em julho de 2025 um marco preocupante: 8 milhões de CNPJs negativados, segundo o relatório Indicador de Inadimplência das Empresas, da Serasa Experian. Trata-se do sétimo mês consecutivo em que o país registra recorde de inadimplência empresarial, um reflexo claro das dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo. Desde junho, mais de 200 mil novos negócios entraram nessa estatística, e em relação a julho de 2024 o aumento já passa de 1,1 milhão de empresas.
Esse cenário expõe a fragilidade de muitos empreendimentos diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados, crédito restrito e queda no consumo. O dado mais alarmante é que a inadimplência não está apenas mais frequente, mas também mais pesada: a dívida média por empresa chegou a R$ 3.302,30, o maior valor da série histórica, com cada negócio acumulando, em média, 7,3 débitos. Somadas, essas dívidas ultrapassam a impressionante marca de R$ 193,4 bilhões.
É importante destacar que grande parte dessas empresas inadimplentes pertence ao universo dos pequenos negócios, responsáveis por mais de 70% dos empregos formais no país. A falta de fôlego financeiro desse segmento compromete não apenas a sobrevivência de cada CNPJ, mas também a geração de renda e a própria dinâmica da economia local e nacional.
Mais do que números, a inadimplência recorde é um sintoma de uma crise estrutural. Ela aponta para a necessidade de políticas públicas que facilitem o acesso a crédito com condições mais justas, programas de renegociação eficientes e medidas que estimulem o consumo e a confiança do mercado. Sem uma resposta coordenada, o risco é ver a espiral da dívida continuar se expandindo, sufocando negócios que poderiam ser motores de inovação, emprego e desenvolvimento.