18:30 - Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2026

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Foto: Ilustração GPT

Desconectados

Data da Publicação:

24/09/2025

A recente pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info e o Lemann Center da Stanford, traz dados que merecem reflexão sobre o uso de celulares nas salas de aula. O estudo revela que 83% dos estudantes brasileiros afirmaram estar prestando mais atenção às aulas após a restrição do uso desses aparelhos. O dado, por si só, já indica que a medida tem potencial para melhorar a qualidade do aprendizado.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental I, o impacto é ainda mais evidente: 88% das crianças disseram estar mais focadas nas atividades escolares. Já no Ensino Médio, etapa em que a autonomia do aluno é maior, o índice cai para 70%, mas ainda assim demonstra efeitos positivos relevantes. A mensagem é clara: ao reduzir distrações, abre-se espaço para uma relação mais direta entre estudante, professor e conhecimento.
Outro aspecto levantado pelo estudo é a questão do convívio escolar. 77% dos gestores e 65% dos professores relataram redução nos casos de bullying virtual, fenômeno que muitas vezes nasce dentro das próprias escolas e se perpetua nos corredores digitais. Entre os alunos, no entanto, apenas 41% perceberam essa diminuição, o que sugere que parte dos episódios de violência online pode estar sendo silenciada ou simplesmente não chega ao conhecimento dos educadores.
O desafio, portanto, vai além de proibir celulares em sala. A escola precisa ser espaço de diálogo e acolhimento, em que os estudantes se sintam seguros para relatar situações de conflito e em que professores e gestores estejam preparados para lidar com elas. O caminho passa pela construção de uma cultura digital mais saudável, que não exclui a tecnologia, mas a utiliza de forma consciente e pedagógica.
Em um mundo cada vez mais conectado, desconectar-se dentro da sala de aula pode ser o passo essencial para reconectar o aluno com o aprendizado e com a convivência saudável.

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