Os números mais recentes sobre o transporte de cargas no Brasil expõem uma realidade que já se tornou rotina para empresas, motoristas e consumidores: a insegurança e a precariedade da malha rodoviária. Em 2024, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o país registrou em média 27 roubos de cargas por dia. Esse índice alarmante coloca o Brasil entre os países com maior incidência desse tipo de crime, que se consolidou como uma das principais fontes de receita para quadrilhas especializadas.
O relatório de Análise de Roubo de Cargas revela que, apenas no primeiro semestre de 2025, os ataques cresceram 24,8%. Em 2024, foram 10.478 ocorrências registradas pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), com prejuízos de R$ 1,2 bilhão.
Diante do risco crescente, empresas de transporte são obrigadas a investir em tecnologia de rastreamento, monitoramento e escoltas, além de adotar rotas mais longas para evitar áreas consideradas críticas. Essas medidas, no entanto, têm um custo elevado. O preço do frete encarece, os prazos de entrega se alongam e a competitividade dos produtos brasileiros, tanto no mercado interno quanto externo, se vê reduzida. No fim da linha, é o consumidor quem paga a conta.
O roubo de cargas não ocorre isoladamente: ele se soma às más condições da malha rodoviária nacional, marcada por trechos deteriorados, falta de manutenção e fiscalização insuficiente. A combinação entre infraestrutura precária e violência organizada cria um ambiente hostil para o transporte, um dos pilares da economia nacional. Não basta apenas reforçar a repressão policial, embora ela seja necessária. O enfrentamento do problema exige uma ação integrada entre governos federal e estaduais, com investimentos pesados em segurança viária, inteligência policial, infraestrutura e políticas de desenvolvimento regional.