Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (22) revelam uma realidade que continua a marcar a vida de milhões de brasileiros: quase três em cada dez domicílios no país ainda não têm ligação com a rede geral de esgoto. Em números absolutos, são cerca de 22 milhões de lares vivendo em condições precárias de saneamento, em pleno 2024.
O levantamento mostra um avanço tímido quando comparado a 2019. Naquele ano, 68% dos domicílios estavam conectados à rede, contra 70,4% em 2024. Embora positivo, o progresso é lento e insuficiente diante da urgência social e de saúde pública que o tema exige. A desigualdade entre campo e cidade é gritante: enquanto nas áreas urbanas 78,1% contam com acesso, no meio rural apenas 9,4% dispõem do serviço.
Essa disparidade expõe um dos maiores desafios estruturais do Brasil: levar infraestrutura básica para além dos grandes centros. O saneamento precário impacta diretamente a saúde, a dignidade e as oportunidades de desenvolvimento de milhões de cidadãos. Doenças de veiculação hídrica continuam a ser uma realidade em várias regiões, assim como a contaminação do solo e dos rios.
Apesar de avanços pontuais, o quadro evidencia a necessidade de políticas públicas mais firmes e investimentos robustos no setor. O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, estabeleceu metas ambiciosas: universalizar o acesso até 2033. No entanto, a distância entre os números atuais e a meta imposta reforça o tamanho do esforço necessário.
O saneamento básico não é apenas uma questão de infraestrutura: é um direito humano fundamental. Cada ponto percentual de avanço representa vidas mais dignas, comunidades mais saudáveis e um país mais justo.