O balanço das estatais controladas pela União em 2024 escancara um paradoxo: ao mesmo tempo em que o faturamento alcançou a cifra inédita de R$ 1,3 trilhão, o lucro líquido consolidado sofreu uma queda expressiva de 41%. O principal fator para esse resultado foi o desempenho da Petrobras, cujos ganhos despencaram de R$ 125 bilhões em 2023 para R$ 37 bilhões em 2024.
Esse contraste revela um cenário em que as empresas geraram mais receita, mas tiveram menor capacidade de converter esse volume em rentabilidade. A redução nos lucros da Petrobras, que historicamente responde por uma fatia significativa dos resultados das estatais, ajuda a explicar esse descompasso. O setor de energia, sujeito a oscilações no preço do barril de petróleo, custos operacionais elevados e mudanças no câmbio, teve papel decisivo nesse recuo.
No entanto, a leitura vai além da Petrobras. O desafio estrutural é transformar a pujança de faturamento em margens sustentáveis, diversificando fontes de receita e reduzindo a dependência de um setor tão sensível às oscilações externas. O resultado de 2024 mostra que, apesar da solidez de caixa, as estatais continuam vulneráveis a fatores conjunturais e à falta de estratégia de longo prazo.
Para a sociedade, o dado desperta atenção: estatais que arrecadam como nunca, mas lucram muito menos, têm menos capacidade de investir em áreas estratégicas e de gerar retorno ao Tesouro Nacional. O próximo passo deveria ser uma discussão madura sobre eficiência, governança e a necessidade de blindar essas empresas das oscilações políticas e de mercado, garantindo que a prosperidade aparente não se perca em quedas de rentabilidade.