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Foto:  GPT

Campeão

Data da Publicação:

18/09/2025

O Brasil continua a figurar no incômodo topo do ranking mundial das maiores taxas de juros reais. Mesmo com leve recuo em setembro, o país segue atrás apenas da Turquia, alcançando mais de 9% de juros reais. Trata-se de um fardo que impacta diretamente a economia, desde o custo do crédito para empresas e famílias até a atração de capitais estrangeiros em busca de rendimentos elevados.
O dado, divulgado por MoneYou e Lev Intelligence, reforça um dilema histórico da política monetária brasileira: controlar a inflação sem sufocar a atividade econômica. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15% ao ano evidencia a cautela da autoridade monetária em um cenário de incertezas fiscais e pressões inflacionárias. Ainda assim, a taxa real se mantém em patamares que, comparados ao restante do mundo, revelam o tamanho da trava sobre o crescimento interno.
O efeito prático é duplo. De um lado, a manutenção de juros tão elevados desestimula investimentos produtivos, limita o consumo das famílias e reduz a geração de empregos. De outro, sustenta o apetite de investidores que preferem aplicações financeiras seguras em detrimento da atividade empreendedora.
O desafio é encontrar o equilíbrio. Com inflação relativamente controlada, é preciso que o debate avance além da simples manutenção de juros elevados. O Brasil necessita de medidas estruturais que fortaleçam a confiança fiscal, reduzam o risco-país e criem condições para cortes consistentes da Selic.
O Brasil quer ser competitivo, inovador e atraente para investimentos produtivos. Para isso, não pode permanecer eternamente preso ao título de “campeão dos juros reais”.

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