20:42 - Sábado, 19 de Setembro de 2026

-

20:42 - Sábado, 19 de Setembro de 2026
foto-consignados-editorial-27-11-2025

Consignados

Data da Publicação:

27/11/2025

O crescimento vertiginoso do mercado de empréstimos consignados vinculados ao INSS revela uma realidade que vai além dos números: expõe a fragilidade de milhões de aposentados diante de um sistema que deveria protegê-los, e não explorá-los. Nos últimos cinco anos, esse setor movimentou R$ 466 bilhões — um salto que contrasta com a enxurrada de denúncias de fraudes, vendas agressivas e cobranças irregulares identificadas por órgãos de fiscalização e pela Justiça.
Segundo levantamento do portal Metrópoles, com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, 87 instituições financeiras mantêm ou mantiveram acordos com o INSS desde 2020. No início da série histórica, o consignado girava aproximadamente R$ 4 bilhões ao mês. Durante a pandemia — período marcado por incertezas, renda comprimida e endividamento crescente — esse volume quase dobrou, atingindo R$ 9 bilhões mensais. A projeção é de que 2024 encerre com um patamar recorde de R$ 100,8 bilhões.
O que poderia ser uma ferramenta legítima de acesso ao crédito transformou-se, em muitos casos, em armadilha. A facilidade da contratação — muitas vezes feita sem o consentimento claro do beneficiário — alimentou práticas abusivas. O aposentado, alvo preferencial de telemarketing invasivo, acabou convertido em moeda de alto valor para instituições com apetite financeiro cada vez maior.
É inegável que o consignado tem papel econômico relevante: pode aliviar emergências, reorganizar finanças e movimentar o consumo. Mas quando esse mercado cresce de forma tão acelerada ao mesmo tempo em que se multiplicam denúncias de golpes e irregularidades, é sinal de que algo está profundamente desequilibrado.
É urgente reforçar o controle público, aprimorar a fiscalização e endurecer as punições para quem se beneficia de práticas fraudulentas. Mais que números, estamos falando de pessoas que dedicaram décadas ao trabalho e que merecem respeito e segurança financeira. Proteger os aposentados é proteger nossa história — e garantir que o futuro não seja um fardo injusto para quem já fez a sua parte.

Leia Também

foto-seguranca-editorial-18-09-2026

A violência e o cidadão

18/09/2026

A percepção de insegurança deixou de ser apenas uma inquietação cotidiana para se consolidar como uma das maiores preocupações dos brasileiros. Pesquisa nacional divulgada pela Quaest, em parceria com a

foto--crise-editorial-18-09-2026

Crise de confiança

18/09/2026

A pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta quinta-feira (17) acende um sinal de alerta para a democracia brasileira. O levantamento revela o descontentamento da maioria da população com algumas das principais

foto-inadimplencia-16-09-2026

Inadimplência

16/09/2026

O crescimento acelerado da inadimplência entre os brasileiros é mais do que um indicador negativo do mercado financeiro. É um retrato preocupante de famílias que passaram a conviver com um

foto-o-custo-da-saude-15-09-26

O custo da saúde

15/09/2026

Cuidar da saúde está cada vez mais caro. O peso aparece no orçamento das famílias, nas despesas das empresas e, sobretudo, nas contas do poder público. Consultas, exames, medicamentos, internações

foto-violencia-domestica-14-09-2026

Violência doméstica

14/09/2026

Os números da violência doméstica em Minas Gerais são alarmantes. Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça mineira recebeu 62.569 novos processos relacionados a agressões contra mulheres. Isso representa

foto-editorial_estabilidade_11-09-26

A estabilidade preocupante

11/09/2026

O fato de o endividamento das famílias brasileiras ter permanecido em 82% em agosto, repetindo o índice de julho, não deve ser interpretado como sinal de tranquilidade. Quando mais de

Login de Assinante

Ainda não é assinante?

Ao se tornar assinante, você ganha acesso a matérias e análises especiais que só nossos assinantes podem ler. Assine agora e aproveite todas essas vantagens!