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Socorro judicial

Data da Publicação:

06/02/2026

O Brasil encerrou 2025 com um dado que exige reflexão: 5,6 mil empresas em recuperação judicial — o maior número já registrado na série histórica do Monitor RGF. O avanço de 24,3% em relação ao fim de 2024 não é apenas estatística. É um retrato direto das dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo em um ambiente de crédito caro, consumo enfraquecido e margens comprimidas.
Mais preocupante ainda é o ritmo da deterioração. Ao longo do ano, 1,6 mil empresas ingressaram com pedidos de reestruturação — alta de 35,2% em comparação com o ano anterior. No último trimestre, 510 companhias buscaram proteção judicial, configurando recorde trimestral.
Recuperação judicial não é sinônimo de falência. É, antes, um instrumento de sobrevivência. Mas o crescimento acelerado dos pedidos revela que muitas empresas estão operando no limite. Juros elevados encarecem o capital de giro. A inadimplência encadeada afeta fornecedores. Pequenas e médias empresas, especialmente no comércio e nos serviços, tendem a sentir os efeitos primeiro.
Em Minas Gerais — e, por consequência, em polos regionais como Poços de Caldas — o cenário exige atenção redobrada. A economia local, fortemente apoiada em comércio, turismo, serviços e pequenas indústrias, é sensível ao crédito e ao nível de renda das famílias. Quando empresas entram em recuperação, empregos ficam em risco, investimentos são adiados e a arrecadação pública sofre impacto.
O desafio para 2026 será duplo: evitar que o número continue crescendo e criar condições para que as empresas em recuperação consigam, de fato, se reerguer.
A recuperação judicial deve ser a ponte para a retomada, não a ante-sala do encerramento definitivo. O Brasil precisa transformar o recorde negativo em ponto de inflexão — para que o próximo levantamento traga menos empresas lutando para sobreviver e mais negócios investindo, empregando e crescendo.

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