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Peso no bolso

Data da Publicação:

25/02/2026

Os números divulgados nesta semana pelo Banco Central do Brasil reforçam uma realidade que o brasileiro sente todos os dias: o crédito está cada vez mais caro. Em janeiro, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 61% ao ano — aumento de 0,9 ponto percentual no mês e de 6,7 pontos percentuais em 12 meses, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito.
O dado mais alarmante, no entanto, está no cartão de crédito parcelado. A taxa média atingiu 194,9% ao ano, com elevação de 6,8 pontos percentuais apenas em janeiro e impressionantes 17,7 pontos em 12 meses. Trata-se de um patamar que transforma qualquer compra parcelada em uma dívida potencialmente explosiva.
O impacto é direto no consumo das famílias e no planejamento das empresas. Em cidades como Poços de Caldas, onde o comércio tem papel fundamental na geração de empregos e renda, juros elevados significam vendas mais retraídas, maior inadimplência e dificuldade para expansão dos negócios. Pequenos e médios empreendedores, que dependem de capital de giro e linhas de crédito, acabam pressionados por custos financeiros que comprometem margens já apertadas.
Para as famílias, o cenário é ainda mais delicado. O cartão de crédito, muitas vezes utilizado como ferramenta de organização financeira, torna-se armadilha quando os juros superam qualquer capacidade de pagamento. A consequência é o ciclo do endividamento, que reduz o poder de compra e gera insegurança econômica.
É claro que o controle da inflação e a estabilidade monetária são pilares fundamentais da política econômica. Porém, quando o crédito atinge níveis tão elevados, o efeito colateral é o desaquecimento da economia real. Comércio, serviços e indústria sentem rapidamente a retração do consumo, o que pode frear investimentos e a geração de empregos.
O desafio é encontrar equilíbrio. Estabilidade econômica não pode significar asfixia do setor produtivo e das famílias.

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