A economia mineira voltou a emitir sinais contraditórios em março. Enquanto o comércio demonstra reação e começa a recuperar parte do dinamismo perdido nos últimos meses, os setores de serviços e turismo seguem enfrentando dificuldades e revelam um cenário que ainda inspira atenção. Os dados analisados pela Fecomércio MG, com base nos números do IBGE, mostram que a retomada econômica em Minas Gerais ocorre de forma desigual — beneficiando alguns segmentos, mas deixando outros para trás.
O desempenho do comércio é um indicativo importante. Historicamente, o setor funciona como um termômetro da confiança do consumidor e da circulação de renda. Quando o comércio reage, há um sinal de que as famílias voltam, ainda que lentamente, a consumir e movimentar a economia. Esse avanço é positivo e demonstra certa capacidade de recuperação diante de juros elevados, inflação persistente em alguns setores e um ambiente econômico nacional ainda marcado pela cautela.
No entanto, o cenário muda quando se observa o setor de serviços e, principalmente, o turismo. Minas Gerais registrou retração de 2,8% no volume de atividade turística em março na comparação com fevereiro, além de uma queda expressiva de 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado mais preocupante aparece no acumulado de 12 meses: retração de 6,3%, enquanto o Brasil apresenta crescimento de 3,5%. Minas teve o pior desempenho entre os estados analisados.
Os números acendem um alerta importante. Minas Gerais possui enorme potencial turístico, cultural, gastronômico e histórico. Cidades históricas, estâncias hidrominerais, turismo rural, ecoturismo e eventos culturais formam um patrimônio econômico relevante, capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento regional. Ainda assim, o desempenho recente mostra que o estado pode estar perdendo competitividade justamente em um setor estratégico.
O contraste entre a recuperação do comércio e a retração do turismo mostra que a economia mineira segue em recuperação parcial e seletiva. O momento exige estratégias específicas para cada setor, além de ações coordenadas entre poder público, iniciativa privada e entidades representativas.
A retomada econômica não pode ser medida apenas pelos números positivos de um segmento isolado. Crescimento sustentável exige equilíbrio entre comércio, indústria, serviços e turismo.