A violência sexual contra menores não é apenas um problema de segurança pública. Trata-se de uma questão humana, social, educacional e familiar. Em muitos casos, os abusos acontecem dentro do próprio ambiente doméstico ou são praticados por pessoas próximas da vítima, o que torna a denúncia ainda mais difícil. Crianças e adolescentes frequentemente não conseguem compreender plenamente a violência sofrida ou têm medo de falar, especialmente quando há ameaças ou dependência emocional do agressor.
Nesse cenário, a escola aparece como um espaço fundamental de proteção. Professores, coordenadores e profissionais da educação muitas vezes são os primeiros a perceber mudanças de comportamento, sinais de sofrimento emocional ou indícios de violência. Por isso, a fala do secretário executivo da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Lucas Lopes, reforça um ponto essencial: investir em prevenção dentro das escolas é uma das estratégias mais eficazes para enfrentar o problema.
Mas a escola não pode agir sozinha. É necessário fortalecer a rede de proteção formada por conselhos tutelares, assistência social, saúde, Ministério Público e forças de segurança. Em muitas cidades brasileiras, inclusive em municípios do interior, os conselhos tutelares enfrentam falta de estrutura, equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho. Sem investimento adequado, o sistema de proteção perde capacidade de resposta justamente nos casos mais delicados.
Outro ponto importante é o papel da sociedade. Ainda existe muito tabu quando o assunto é violência sexual infantil. Muitas famílias evitam discutir o tema por desconforto ou desconhecimento, quando, na verdade, o diálogo é uma das principais formas de prevenção.
Em cidades como Poços de Caldas, onde escolas, projetos sociais e instituições comunitárias possuem forte presença na vida cotidiana, campanhas educativas e ações preventivas podem fazer grande diferença. A mobilização não deve se limitar ao Maio Laranja. O combate à violência sexual contra crianças e adolescentes precisa ser permanente, contínuo e tratado como prioridade absoluta.