Na próxima segunda-feira, 9 de junho, o Brasil celebra o Dia Nacional da Imunização, uma data essencial para reforçar o valor das vacinas como instrumentos de proteção individual e coletiva. A ocasião, no entanto, chega em meio a um preocupante alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS): doenças que haviam sido controladas ou até mesmo eliminadas em várias regiões do planeta voltam a ganhar força.
Segundo a própria OMS, as vacinas salvaram cerca de 150 milhões de vidas nos últimos 50 anos, o que as torna uma das medidas de saúde pública mais eficazes e economicamente sustentáveis já desenvolvidas. Apesar disso, a cobertura vacinal tem caído em diversos países, inclusive no Brasil, colocando em risco décadas de conquistas sanitárias.
O caso do sarampo é emblemático. Em 2023, foram registrados mais de 10,3 milhões de casos estimados da doença no mundo, um salto de 20% em relação ao ano anterior. Desde 2021, os números só aumentam, impulsionados pela interrupção das campanhas de vacinação durante a pandemia de Covid-19 e pela disseminação irresponsável de desinformação nas redes sociais. Em apenas 12 meses, 138 países notificaram casos de sarampo, sendo que 61 enfrentam surtos significativos – o maior número desde 2019.
Esse cenário reforça um alerta inadiável: a redução nas taxas de vacinação aumenta a vulnerabilidade da população e pode provocar a reemergência de doenças que já estavam sob controle. E não se trata apenas do sarampo: poliomielite, coqueluche, rubéola e tantas outras ameaças podem voltar a assombrar o mundo se a imunização em massa não for restabelecida como prioridade pública e compromisso coletivo.
É hora de reforçar a confiança na ciência, combater a desinformação com informação qualificada e valorizar o Sistema Único de Saúde, que historicamente tornou o Brasil uma referência em campanhas de vacinação. Vacinar é um ato de cuidado, de solidariedade e de responsabilidade. Negligenciar esse compromisso é abrir espaço para o retrocesso.