A decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em aprovar, por 14 votos a 12, uma emenda que prevê a adoção do voto impresso reacende uma das discussões mais polêmicas da política brasileira recente. O tema foi central nas últimas eleições, gerou tensões entre os Poderes e acabou considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, volta à pauta dentro do Projeto de Lei Complementar 112/2021, que trata do novo Código Eleitoral com cerca de 900 artigos.
O argumento central dos defensores do voto impresso é a necessidade de ampliar a segurança e a auditabilidade do processo eleitoral. O texto aprovado prevê que cada voto seja impresso e automaticamente depositado em local lacrado, sem contato manual do eleitor, e que só após a confirmação visual do registro impresso a votação seja concluída. Em tese, isso criaria uma camada adicional de fiscalização.
No entanto, a introdução desse mecanismo coloca em dúvida uma das conquistas mais sólidas da democracia brasileira: a confiabilidade e a rapidez do sistema eletrônico de votação. Desde sua implantação, a urna eletrônica garantiu eleições seguras, céleres e imunes a fraudes comprovadas, sendo reconhecida internacionalmente.
Ao ressuscitar o voto impresso, parte do Congresso também alimenta a desconfiança no sistema eleitoral. Essa estratégia, muitas vezes carregada de viés político, pode fragilizar a confiança da população nas instituições e abrir espaço para narrativas de fraude sem lastro na realidade.
O retorno do voto impresso ao debate legislativo mostra que a democracia brasileira continua posta à prova.