19:33 - Sexta-Feira, 10 de Abril de 2026

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Carteira assinada

Data da Publicação:

10/04/2026

Apesar do barulho constante das redes sociais e da crescente visibilidade das novas formas de trabalho, o emprego com carteira assinada segue como o principal objetivo de grande parte dos brasileiros. A constatação, reforçada por pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela mais do que uma preferência: expõe uma necessidade ainda fortemente enraizada na busca por segurança e previsibilidade.
O modelo formal de trabalho, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permanece como referência para quem procura estabilidade. Benefícios como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e acesso à Previdência Social não são apenas vantagens — são instrumentos de proteção em um país historicamente marcado por desigualdades e vulnerabilidades no mercado de trabalho.
Em contrapartida, o crescimento das plataformas digitais trouxe novas possibilidades de renda, especialmente em momentos de crise. Motoristas e entregadores por aplicativo passaram a ocupar espaço relevante na economia urbana, oferecendo flexibilidade e rapidez de inserção no mercado. No entanto, os dados mostram que essa modalidade ainda é vista, majoritariamente, como complemento — e não como substituição — do emprego formal.
O fato de apenas 30% considerarem essas atividades como fonte principal de sustento indica um limite claro: a ausência de garantias trabalhistas e previdenciárias ainda pesa na decisão do trabalhador. A flexibilidade, embora atraente, não compensa totalmente a insegurança de um modelo sem proteção social estruturada.
O desafio que se impõe, portanto, não é escolher entre o “antigo” e o “novo”, mas encontrar um equilíbrio. O Brasil precisa avançar na modernização das relações de trabalho sem abrir mão da proteção ao trabalhador. Isso passa por discutir regulamentações mais claras para o trabalho em plataformas, ampliando direitos sem inviabilizar a inovação.
Em um cenário de transformações aceleradas, a mensagem que emerge é clara: o futuro do trabalho pode até ser mais flexível, mas a segurança ainda é — e continuará sendo — um valor central para o trabalhador brasileiro.

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