Poços de Caldas, MG – Muito além de notas musicais, o Conservatório Musical Antônio Ferrúcio Viviani dá início a uma revolução na forma como as crianças se comunicam com o mundo! É o projeto Som que Educa, um curso oferecido aos professores da Rede Municipal de Ensino com base na pedagogia da escuta.
Neste curso, o Conservatório não apenas abre suas portas, mas projeta seu conhecimento para o coração das escolas municipais. Ao levar a abordagem Reggio Emilia para os Centros de Educação Infantil (CEIs), a música é transformada em um instrumento de emancipação e protagonismo para os alunos.
Descentralizar para democratizar
Para a coordenadora pedagógica do Conservatório Musical, Cristiane Fernandes, o projeto é um marco na proposta de levar a arte onde o povo está. “Nosso objetivo é que o Conservatório seja um organismo vivo dentro da cidade. Ao descentralizar nossas ações e levá-las para dentro dos CEIs, estamos garantindo que a excelência pedagógica e a sensibilidade musical cheguem a cada criança, independentemente de onde ela esteja. É a música servindo como base para uma formação humana profunda e atual”, destaca.
A supervisora Silvana Slompo reforça o impacto técnico e humano para o corpo docente. “Ao oferecermos essa formação baseada na Pedagogia da Escuta, estamos instrumentalizando nossas professoras para que elas identifiquem as múltiplas potencialidades dos alunos”, ressalta.
A Pedagogia da Escuta e o protagonismo docente
Inspirar-se em Reggio Emilia é compreender que educar não é preencher um espaço vazio, mas sim oferecer ferramentas para que a criança expresse sua visão de mundo. Nesta metodologia ativa, o aprendizado é vivo, tátil e sonoro.
Sob a orientação da equipe de professores formada por Francine Reis, Gisely Brito, Maxcarlo e Patrícia Prata Dias, as educadoras da rede pública iniciam agora uma jornada de autotransformação. Elas não estão apenas aprendendo a tocar; estão refinando sua própria percepção para interpretar os “cem caminhos” das crianças.
A música é uma ponte para a alfabetização emocional e cognitiva. O ritmo prepara o ouvido para a métrica da fala; a melodia traduz sentimentos que as palavras ainda não alcançam. Ao dominar o instrumento, o educador torna-se o facilitador que ajuda a criança a transformar o som em narrativa e a narrativa em escrita.
Como afirma o pedagogo e professor italiano, Loris Malaguzzi, que cresceu na cidade de Reggio Emilia: “A criança tem cem linguagens, mas roubam-lhe noventa e nove”. O projeto Som que Educa visa garantir que nenhuma dessas linguagens seja silenciada, com a construção conjunta de um futuro onde cada criança tenha o direito de criar sua própria sinfonia.
Reggio Emilia
Em vez de oferecer currículos rígidos e um ensino tradicional, a abordagem educacional Reggio Emilia propõe um aprendizado flexível e emergente, baseado nos interesses das crianças e na construção de projetos colaborativos. Assim, promove-se uma educação que valoriza o potencial criativo de cada criança, preparando-as para pensar de forma crítica e para resolver problemas com confiança.